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Na Prática a Teoria é Outra Rotating Header Image

Luiz Felipe Alencastro no Valor

Intelectual bom, jornal bom, entrevista boa. Melhores momentos:

Dentro e fora do país há um consenso favorável sobre a economia brasileira, sobretudo com a entrada da China no mercado mundial, com uma forte demanda por matérias-primas. O lado negativo é que o comércio externo fica parecido com o que era no século XIX. Há um risco nessa divisão internacional do trabalho que vai se criando, em que o Brasil vira exportador de matérias-primas novamente.

Essa discussão sobre a pauta de exportação está ganhando importância. Permaneço agnóstico.

Sobre Dilma:

O que me assusta é a ideia de ter Michel Temer como vice-presidente. Ele é deputado há décadas e foi presidente da Câmara duas vezes. Controla a máquina do PMDB e o Congresso à perfeiçãoe foi presidente da Câmara duas vezes. Controla a máquina do PMDB e o Congresso à perfeição. Vai compor chapa com uma candidata que nunca teve mandato e é novata no PT.

(…)

Ela assumiu a Casa Civil num momento difícil. O governo e o país estavam em crise e, por muito tempo, não se falou nela, o que é um indício de grande eficácia. Num cargo exposto como esse, não ser notícia é um grande feito. Isso prova que não é ficção sua fama de boa administradora. Mas acho problemático ela não ter a experiência de um mandato eletivo.

É uma questão, mesmo. Estão subestimando a Dilma, é óbvio, sobretudo a galera que acha que ela será facilmente manipulável (um meme que já existia sobre o Lula). Mas o PMDB joga pesado e, vamos admitir, joga bem. Mas vale a ressalva: Temer não tem o PMDB na mão, não. É fortíssimo, talvez seja o mais forte entre os caciques do partido, mas o PMDB não tem um chefe.

Sobre Serra:

Serra tem muita experiência e é um grande líder. Mas tem um problema sério. Vou formulá-lo de maneira abrupta: e se Serra for um blefe? Explico: ele é apresentado desde 1982, quando foi secretário de Planejamento em São Paulo, como o reformador do Brasil, o homem que vai racionalizar a economia e dar jeito no país. Quando Fernando Henrique ganhou, ele foi ministro do Planejamento, mas ficou fora da política econômica. Como se dizia, Serra era o candidato da Fiesp, da indústria, e Fernando Henrique, da Febraban, dos banqueiros. Serra foi parar na Saúde e até hoje não quer ser associado àquela política econômica, de que era crítico acerbo.

(…)

O problema dele é esse: com a expectativa em torno de seu nome, ele vai fazer o quê no governo? A própria Fiesp, que mais ela quer, senão seguir com a política de Lula? E os banqueiros, que se entopem de dinheiro? Sem contar os 26 milhões de pessoas que subiram na escala social. Não dá para saber o que Serra vai fazer. Não pode entrar com o discurso de acabar com a corrupção, porque isso não dá muito refresco e depende mais da Justiça, dos tribunais de contas.

Sobre FHC:

É curioso esse excesso de impopularidade. Chega a ser injusto. Não tem um vereador do PSDB que faça santinho dizendo ser candidato do partido de Fernando Henrique. Pergunto às pessoas, quando vou ao Brasil, o que as incomoda em Fernando Henrique. Fala-se das privatizações: “Vendeu tudo e não se viu o dinheiro”. Ou nos bilhões de dólares queimados na gestão temerária da paridade cambial. Ou coisas mais subjetivas, misteriosas: “O jeito como ele ri”…

O Lulismo:

Os dois mandatos de Lula criaram algo novo. O cientista político André Singer mostra [em artigo para a revista "Novos Estudos"] que Lula foi eleito no primeiro mandato pelos operários sindicalizados e pela classe média. No segundo, perdeu uma parte da classe média e ganhou entre trabalhadores não organizados e subempregados, graças aos programas sociais. Isso resultou num novo populismo. Segundo Singer, esse eleitorado é conservador, não quer mudanças, quer que o governo tome conta dele. Acho essa interpretação um pouco estática, porque pressupõe que a ascensão social desse subproletariado não incomoda ninguém, e que a ameaça de perder o que ganhou não o levará a uma politização ativa.

O Anti-Lulismo:

É o que alimenta a agressividade anti-Lula de certos jornais e revistas, que retratam a perplexidade de uma camada social insegura: os pobres estão satisfeitos e os ricaços também, mas a velha classe média não acha graça nenhuma. Ter doméstica com direito trabalhista, pobres e remediados comprando carro e atrapalhando o trânsito, não ter faculdade pública garantida para os filhos matriculados em escola particular. Tudo isso é resultado da mobilidade social, que provoca incompreensão e ressentimento numa parte da classe média. Daí o furor contra o ProUni, as cotas na universidade, o Bolsa Família. Leio a imprensa brasileira pela internet e às vezes fico pasmo com os comentários dos leitores, a agressividade e o preconceito social explícitos.

A propósito, alguém acompanhou a tag #TODOFAVELADO ontem no Twitter, bem na hora em que as mães choravam os filhos no morro? Pois é.

Um ponto que sempre levantamos aqui, tem que ter partido de direita competitivo no Brasil:

Brasil e Estados Unidos são países conservadores e precisam ter um partido conservador à altura. A desarticulação da direita não é bom sinal. É preciso uma alternativa conservadora que mantenha a insatisfação no jogo eleitoral. Foi isso que o PT fez na esquerda. Ainda no tempo da ditadura, recolheu o sindicalismo apartidário, a franja próxima da luta armada, que tinha sido desmantelada, e a militância cristã, que não tinha onde se expressar eleitoralmente. Isso fez a força do PT.

(…)

O problema é que, a princípio, Serra não é o candidato que a direita gostaria de ter. Ele é um democrata com trânsito numa parte da esquerda. Também é meio estatizante, adepto de uma política tarifária protecionista e por aí vai. Não é a mesma direita de Demóstenes Torres, Ronaldo Caiado ou mesmo Geraldo Alckmin.

Respondendo se a campanha será um vale-tudo:

Na blogosfera, já começou. É terrível, a começar pelo episódio da ficha policial falsa de Dilma. É um sinal do que está por vir. Vai ser um vale-tudo monumental. Embora o impacto disso seja limitado no grande eleitorado, é forte entre os chamados “formadores de opinião”. Sobretudo, cria um clima de tensão e de irresponsabilidade na campanha presidencial.

Grande pergunta do jornalista Diogo Diego Viana (foi mal aí, Diego):

Valor: A presidente da Associação Nacionais de Jornais, Judith Brito, disse que a fraqueza da oposição leva a imprensa a agir como partido. O que significa a imprensa se comportar como partido político?

Alencastro: Normalmente, a imprensa defende a Constituição, reformas políticas, ideias. Não há nada errado, por exemplo, em apoiar candidatos. O “New York Times” apoiou Obama, mas tem um trabalho jornalístico sério e equilibrado. Esse é o papel da imprensa, o que é diferente de querer substituir partidos políticos. Fiquei perplexo com o texto de uma coluna regular num grande jornal carioca que continha uma proposta partidária para o PSDB. O papel do jornalista não é redigir programas partidários.

Tenho quase certeza de que ele se refere a uma coluna dessa semana do Merval Pereira, que deu uma guinada impressionante nos últimos dias. Dá mesmo a impressão de que pensou “se eu deixar esse negócio nas mãos desses políticos da oposição, não sai nada”. Bom, antes uma oposição pautada pelo Merval Pereira do que pelo Reinaldo Azevedo.

E o PT:

Como partido no poder, o PT se aguenta, porque tem financiamento também do patronato, empreiteiras, grupos que antes não o financiavam. O PT tem ainda uma máquina partidária bem operacional, tempo de televisão e, claro, a disciplina partidária. Mal ou bem, eleições para a direção do PT têm atraído dezenas de milhares de militantes. Que outro partido brasileiro tem essa participação? Todo mundo se lembra da “convenção do Massimo”, que reuniu Serra, Aécio, Fernando Henrique e Tasso Jereissati, em fevereiro de 2006, num dos restaurantes mais caros do Brasil, em São Paulo, para discutir a candidatura do PSDB às eleições presidenciais daquele ano.

(…)

O aparelho, que se mexia sozinho, foi decapitado com a derrocada de [Luiz] Gushiken, [Antonio] Palocci e [José] Dirceu. Lula tomou conta e o partido perdeu sua independência. Tarso Genro disse que a candidatura Dilma cresceu no vazio que se criou dentro PT, e tem razão. O próprio Tarso, em 1997, foi pré-candidato contra Lula. Imagine se hoje isso seria possível! Existe um problema de sobrevivência para o PT pós-Lula. O movimento mais forte do Brasil no século XX, o varguismo, esgotou-se quando Lula foi para o segundo turno em 1989, batendo Brizola e puxando o eleitorado trabalhista. O PT também pode se desarticular porque perdeu o debate interno. Em 2005, com o escândalo do mensalão, Raul Pont propôs uma refundação do partido e enfrentou [Ricardo] Berzoini nas eleições internas. Perdeu, depois sumiu. Ninguém mais ouve falar nele, nem se sabe o que ele pensa. A ausência de debate interno pode transformar o PT num partido amorfo, corroído pelo empreguismo e o clientelismo político.

A política externa:

Pela primeira vez, desde 1850, quando a marinha de guerra inglesa bloqueava a baía de Guanabara por causa do tráfico negreiro, a diplomacia brasileira entrou na agenda da campanha eleitoral nacional. Acho uma coisa muito boa. Durante a ditadura, política externa era um assunto secundário. Depois, com a internet, os jornais desistiram de ter sucursais e correspondentes no exterior. Ora, a política externa virou um assunto complexo, mas o Brasil não tem especialistas suficientes nos jornais ou nas universidades. A imprensa não segue política internacional de maneira adequada. Exige-se mais conhecimento específico dos jornalistas esportivos que de quem cobre o setor internacional. Há um quarteto de embaixadores aposentados que estão sempre na televisão, batendo em Celso Amorim e Lula. Repetem que a política externa é um desastre. Desastre? Os jornais americanos e europeus discordam. Nunca vi o Brasil com tanto prestígio. É até desproporcionado, dado o peso ínfimo do país no comércio internacional. Ao contrário da Índia e da China, potências atômicas com peso comercial enorme. Em maio, Lula vai ao Irã e está sendo criticado no Brasil. Já a “Economist” diz que é bom, porque abre novos canais de comunicação entre Estados Unidos e Irã. Nos últimos dias, a diplomacia brasileira usou com habilidade as regras da OMC e as manobras políticas para rebater o protecionismo americano na questão do comércio do algodão. Tenho certeza de que esse assunto, que começou em 2002 e ainda não terminou, ficará como um marco na história diplomática.

Tem muito mais coisa, realmente recomendo. Corre lá e compra o jornal, essa é pra guardar.

PS: o Valor é um caso interessante. É muito, muito melhor que os outros jornais brasileiros. É propriedade de grandes grupos de mídia nacionais, que também editam outros jornais (Globo e Folha), piores que ele. Mas é direcionado a um público bem mais restrito. Duas interpretações possíveis: (a) não sendo para grande público, sofre menos pressão pra fazer campanha eleitoral, e (b) não tem que se adequar aos preconceitos do público leitor médio dos outros jornais. Não sei qual é a certa, não.

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57 Comments on “Luiz Felipe Alencastro no Valor”

  1. #1 Marcus
    on Apr 9th, 2010 at 6:29 pm

    Você tem como linkar o texto do Merval? Se estiver fechado no Globo, talvez tenha em algum clipping externo.

  2. #2 J_P_Rodrigues
    on Apr 9th, 2010 at 7:23 pm

    Desde que o LFA não trate de cotas, quando reduz tudo (sociedade, história, partidos, economia, idéias) à escravidão tal como em 1850, é uma grande entrevista. Mais um serviço de utilidade pública para os fora do eixo Rio-SP.
    Mas tem uns senões de leve:
    1. Que a maior parte da classe média não gosta de pobre é ponto pacífico. Agora, se ela não gosta de pobre, isso não significa se incomodar com a ascenção social dos mesmos pura e simplesmente. Acho meio forçado dizer que ela tem pinimba com o governo Lula porque os pobres compram carro e aumentam engarrafamento. Seria anedótico. Acho que seria mais correto – uma leitura mais fina – afirmar que ela anda desgostosa porque sente (imagina?) que de todas as reformas, melhorias, novidades, progressos, poucos são dirigidos diretamente a ela, como diminuição de carga tributária e facilitação da vida do pequeno e médio empresariado. Mas sei lá, alguém saberia de estudos sérios sobre como a classe média vê a conjuntura dos últimos dez anos?
    2. Eu tô começando a achar que não tem nada demais a imprensa agir como partido, afinal, lá no XIX, ela começou assim. Não que a coisa se repita, pois nem a imprensa era feita por grandes empresas, nem os partidos eram essas modernas pan-organizações buocratizadas, mas eu queria saber qual o problema de fundo em ela ser partidária na vera – salvo no caso de ela só vocalizar uma posição, claro.
    3. Agora, algo que deveria ter sido perguntado é: se a direita se desarticular de vez, e também o PT, que tipo de desastre teremos daqui há alguns anos? Ou será que esta seria a janela de oportunidade para um PRI social-democrata petistucano?

  3. #3 Diego Viana
    on Apr 9th, 2010 at 7:47 pm

    Alguns rápidos comentários:

    1) DiOgo não, DiEgo. Se você soubesse como eu sou amargo com essa confusão E/O no meu nome…

    2) A coluna do Globo não é do Merval, não… mas a primeira inicial está certa.

    3) A imprensa surgiu como órgão partidário, OK, particularmente entre os revolucionários franceses do século XVIII. Mas já deixou de ser isso há muito. No Brasil, particularmente, o que se vê é uma partidarização não-admitida, ou seja, finge-se fazer jornalismo (invenção posterior aos jornais, não vamos esquecer) quando na verdade se faz política…

    4) A resposta para o item 3 do comentário acima é: um bonapartismo-varguismo-peronismo-gaullismo em que a efígie é de Lula e a oposição é raivosa.

  4. #4 André
    on Apr 9th, 2010 at 7:51 pm

    1) O preconceito da classe média, assim como o racismo, é meio difuso e dissimulado. Não arriscaria uma causa para ele, mas a sua explicação me pareceu mais correta.
    2) Também acho que não tem nada demais um jornal agir como partido. Mas, depois que a Folha deu na capa a ficha falsa da Dilma, como confiar na previsão do tempo que a Folha dá? Ou no seu horóscopo? Creio que os jornais ganharam importância na medida que foram se profissionalizando, jogar fora a credibilidade alcançada é pior para o jornal do que para mim. A própria existência do Valor parece indicar que sempre haverá alguém para ocupar o lugar da espécie que se tornou obsoleta.
    3) Acho meio cedo para arriscar o que vai acontecer, mas a história das eleições parece mostrar que, mesmo pouco politizado, o eleitor tem melhorado suas escolhas com o passar do tempo. Quem sabe não estamos caminhando para um sistema de democracia direta? A tecnologia disponível já permitiria isso.

  5. #5 Carlos
    on Apr 9th, 2010 at 8:06 pm

    Parte I:

    O Alencastro é um Conservador liberal, ama a ordem, e por isso se identifica com o reacionarismo pragmático do governo Lula. Direito dele, mas o que ele não consegue perceber é a base sobre a qual este governo se apoia: de um lado, dar todas as oportunidades à Burguesia; de outro, preservar posições da aristocracia operária e incorporar os destituídos à rede de direitos sociais – tudo financiado pela tosquia da pequeno-burguesia propriamente dita. Esta fica furiosa, tanto com os "de cima" quanto os "de baixo", e a expressão política do seu estado de espírito é cada vez mais, de caráter fascista: é esse ódio "para os dois lados" que é o elemento real que está por trás daquelas fantasias do astrólogo, de milionários comunistas gramscianos associados ao Foro de São Paulo para criar a URSAL, etc.

  6. #6 Carlos
    on Apr 9th, 2010 at 8:07 pm

    Parte II:

    Até aí, morre Neves – não fosse o fato de que a Burguesia mais radical sabe que o Governo Lula abre um precedente perigoso, o de que "é possível existir um Presidente das classes populares". E se eles sentem que os "de baixo" se radicalizam, ou se houver uma crise econômica que os force a quererem podar os direitos sociais já adquiridos – aí , eles podem chamar a classe média ultra-reacionária para uma conversinha…

  7. #7 J_P_Rodrigues
    on Apr 9th, 2010 at 8:19 pm

    Oi André:
    De repente a credibilidade anterior era uma falsa impressão. No mais, acho que dá para ser claramente partidário sem ser manipulador. Talvez a grande imprensa esteja passando por um choque de reajuste. O que falta é o equilíbrio, é a esquerda investir nos seus próprios meios. Essa classe média baixa acendente pode até ver Globo, mas não ouve CBN e deve ler é O DIA. Quando ela se sofisticar, pode haver um filão que não se pode deixar dando bandeira.

  8. #8 J_P_Rodrigues
    on Apr 9th, 2010 at 8:28 pm

    Ou seja, o reacionarismo pragmático é feito de incorporar destituídos a direitos sociais, abre um precendente contra a grande burguesia e possibilita a inédita radicalização dos nunca antes radicalizados, sendo isso amado por um (cof, cof) "conservador liberal".
    Ler a realidade com as lentes da simplificação conceitual e da repetição histórica banalizada torna-se farsesco, não fosse antes, na verdade, coisa com pouco pé ou cabeça.

  9. #9 J_P_Rodrigues
    on Apr 9th, 2010 at 8:32 pm

    Caramba! E o que vem a ser isso? São tantas realidades contraditórias descritas pelos conceitos acima que é difícil imaginar o que representaria?
    Pergunto na boa, pois como todas nossas previsões falharão (como sóe ser), queria saber pelo menos no que erraremos…

  10. #10 André Egg
    on Apr 9th, 2010 at 8:38 pm

    Sobre a entrevista, nada a comentar: sempre gosto muito das análises do Alencastro.

    Ia dizer que não é Diogo, mas Diego. Mas ele já veio em pessoa defender o seu nome.

    Também acho que ele não é jornalista, mas filósofo.

    E tem um grande blog (apesar de não publicar com freqüência) num ótimo portal (he,he por coincidência o mesmo onde tenho blog).

    diegoviana.opsblog.org

  11. #11 Sergio
    on Apr 9th, 2010 at 8:58 pm

    Muito interessante a análise sobre os candidatos, e importante levantar a bola do papel do Brasil como exportador primário (acho um tema difícil e necessário). Agora, a parte da classe média foi realmente muito fraquinha, muito simplista. Dizer que o sujeito não gosta do Lula pq a empregada tem direito trabalhista? Nunca ouvi falar disso. Já vimuita gente não gostar do Lula porque ele fala errado, porque ele conta piada e fala palavrão, pelo jeito fanfarrão, na verdade poucas vezes por causa do governo e mais pela imagem e características pessoais (entre elas, sua origem). O Alencastro deixa de levar em conta os aspectos já mencionados pelo pessoal aí em cima, bem como ignora a rejeição aos escândalos de corrupção (muita gente de classe média que se indignou com os escândalos do PSDB até 2002, votou no Lula pela primeira vez e depois se revoltou com os mensalões da vida). Acho que a popularidade do Lula e do governo mereciam uma análise um pouco mais elaborada, vindo de quem veio.

  12. #12 marcos moraes
    on Apr 9th, 2010 at 10:23 pm

    "Pergunto às pessoas, quando vou ao Brasil, o que as incomoda em Fernando Henrique. Fala-se das privatizações: “Vendeu tudo e não se viu o dinheiro”. Ou nos bilhões de dólares queimados na gestão temerária da paridade cambial. Ou coisas mais subjetivas, misteriosas: “O jeito como ele ri”…

    Quando eu vou ao Brasil? Quantas vezes ao ano? Quantas em 8 anos? E as pessoas respondem sempre a mesma coisa? Vá à merda!

    A Dilma é uma certeza adm. porque ninguém falou nada? Já o Serra pode ser um blefe? Quanta desfaçatez…

    Isso é artigo de um intelectual bom? Porra nenhuma! É artigo, militante, pra responder o anterior, visto que o que é dito lá não pode ser resolvido por alguém como Dilma e vc sabe muito bem..

    Vc correu do pau pela via indireta.

    MAM

  13. #13 Hugo Albuquerque
    on Apr 10th, 2010 at 12:03 am

    Bem, eu achei uma entrevista razoável; de um lado, Alencastro aponta para os óbvios evidentes que a intelectualidade brasileira, por necrose mental ou moral, ignora, por outro, ele patina em alguns momentos. Acho meio simplista essa análise de que o comércio mundial está parecido com o que era no século 19º – e que o Brasil tem uma importância demasiada levando em consideração o peso que tem atualmente no mercado mundial (enfim, acho que ele ignora a potência do Brasil, que é o que os estrangeiros veem).

    O medo sobre Temer faz sentido, trata-se de uma figura ligada aos social-liberais do departamento de Direito Consitucional da PUC-SP que, ainda assim conseguiu manter uma amizade sólida com um petista de carteirinha como Celso Antônio Bandeira de Mello – que deve ter lá algo a ver com essa aproximação. Erra Alencastro, no entanto, ao dizer que o PMDB não tem chefe – eu diria que pela dinâmica do PMDB, o que Temer faz lá é o equivalente a uma chefia. Sobre Dilma, é mais ou menos por aí mesmo, ainda que a experiência dela em duas casas de marimbondo como as Minas de Energia e a Casa Civil sejam mais relevantes do que ter governado uma capital ou um estado médio.

    Sobre Serra e FHC, a provocação é mais do que válida. Sobre o Lulismo e o Anti-Lulismo, creio que 99% dos nosso intelectuais tenham graves dificuldades para conceituar isso, seja porque são fenômenos ainda muito recentes, seja porque boa parte deles tenha envolvimento afetivos com a questão – e, eu ainda acho que o estudo do Singer tenha bons flancos lógicos, ainda que mereça ser considerado na medida em que se consubstancia como uma pista despretensiosa e honesta para entender o fenômeno.

    Só não entendi bulhufas essa história de que o Brasil tem de ter um partido conservador forte. Isso é parte de uma lógica idealista um tanto demagógica de que é preciso ter uma oposição entre um partido progressista e um partido conservador para da fricção de ambos sair alguma coisa – as coisas, na prática, não funciona assim, a menos numa ditadura velada de partido duplo (recentemente, o Gorby propôs algo do genêro para a Rússia, provando que mesmo depois de tudo que aconteceu, ele ainda não deixou de ter devaneios bem-intencionados, mas idiotas). No caso do Brasil, restam as perguntas: Conservar o que e por que?

    No que toca o PT, ele tem razão sobre quase tudo: A questão de que aquele velho comando foi decapitado é tão enganoso quanto supôr que antes dos anos 2000 ele já não funcionava de forma ativa. O ponto do debate interno é algo que eu já venho levantando há tempos. Sobre o PSDB, nada a declarar.

  14. #14 fabio
    on Apr 10th, 2010 at 12:26 am

    Reacionarismo é sacanagem. Pra dizer bem claramente: nunca antes nesse país aconteceu um governo como esse, mesmo que se entenda o governo atual tal como você o descreve.

  15. #15 He will be Bach
    on Apr 10th, 2010 at 12:35 am

    J. P. Rodrigues:
    Acho que você está certo quanto à aversão da classe média aos mais pobres, mas acho que o que o Alencastro quis dizer é: Dado que existe já esse preconceito, a ascensão social das classes mais baixas as torna mais próximas à classe média, o que ativa esse preconceito. Assim, as duas explicações se complementam. Falo por experiência própria: pessoas que conheci vêem as cotas, por exemplo, como uma desapropriação. Não é questão de "eu estou perdendo oportunidade" ou "eu também quero um pedaço do bolo", e sim "agressores estão tomando o que é meu."

    Hugo,
    Desculpe-me, mas você exagerou. A idéia de um partido conservador forte não necessariamente se reduz a isso. Muitas democracias funcionam, sim, na base dessa fricção. Ainda mais porque qual seria a outra opção?
    Veja o caso dos próprios States. Pegue a relação de todos os presidentes. Quase todos foram republicanos (a força conservadora). Presidentes democratas (força reformista), quase invariavelmente, foram eleitos em momentos de crise, e o Obama é um caso emblemático disso. Ou seja, a democracia americana pode não ser perfeita, mas até que funciona, e nessa mesma base de fricção de forças conservadoras e progressistas.
    Creio que a preocupação do Alencastro é que, dada a falta de um adversário à altura, o partido no poder tenda à sensação de onipotência. Acho que essa sensação, hipotetizada pelo Alon, explica muito bem porque, ultimamente, o Lula tem falado merda atrás de merda atrás de merda (e. g., comparar os presos políticos a criminosos comuns e dizer que não devemos fazer o que um juiz nos diz). Um governo sem oposição, inclusive, perde até mesmo em eficiência, pois essa sensação o leva a crer que não precisa ouvir ninguém, e aumenta a chance de cair num mata-burro e ainda achar que está arrasando.

  16. #16 Lourival Pessanha
    on Apr 10th, 2010 at 12:50 am

    “A Dilma é uma certeza adm. porque ninguém falou nada? Já o Serra pode ser um blefe? Quanta desfaçatez…”

    Concordo… Eu fiquei surpreso que um cara inteligente como o Celso tenha gostado dessa entrevista medíocre de militante.

  17. #17 NPTO
    on Apr 10th, 2010 at 1:01 am

    Vou tentar esses dias, pode deixar.

  18. #18 NPTO
    on Apr 10th, 2010 at 1:03 am

    JPR, se tiver os dois lados, já não é mais partido. A competição entre os dois lados vai forçar algum nível de distanciamento, como na Inglaterra. O problema é que é um bloco sem mídia contra um bloco sem partido.

    Eu acho que o PRI pt/tucano não rola porque, assim que o PSDB apoiar o PT, perde muito apoio na elite, que vai procurar outro ator.

  19. #19 fabio
    on Apr 10th, 2010 at 1:07 am

    Pensando pelo lado positivo, Michel Temer ajuda a lembrar os limites do processo político atual.

    "A própria Fiesp, que mais ela quer, senão seguir com a política de Lula? "
    A FIESP prefere um outro câmbio.

    "É curioso esse excesso de impopularidade. Chega a ser injusto. "
    Pô, não sacaneia.

    "Na blogosfera, já começou. É terrível, a começar pelo episódio da ficha policial falsa de Dilma. "
    O mais terrível é que não foi na blogsfera.

    "O aparelho, que se mexia sozinho, foi decapitado com a derrocada de [Luiz] Gushiken, [Antonio] Palocci e [José] Dirceu. Lula tomou conta e o partido perdeu sua independência."
    Lenda.

    "O próprio Tarso, em 1997, foi pré-candidato contra Lula. Imagine se hoje isso seria possível! "
    Não só é possível quanto aconteceu – até o ano passado ele disputava com a Dilma (mais propriamente com a CNB) a indicação do partido.

    "Em 2005, com o escândalo do mensalão, Raul Pont propôs uma refundação do partido e enfrentou [Ricardo] Berzoini nas eleições internas."Em 2005, com o escândalo do mensalão, Raul Pont propôs uma refundação do partido e enfrentou [Ricardo] Berzoini nas eleições internas. Perdeu, depois sumiu. Ninguém mais ouve falar nele, nem se sabe o que ele pensa."
    A DS continua existindo e se manifestando como sempre, só o que acabou foi a efêmera aliança deles com a mídia.

  20. #20 Frank
    on Apr 10th, 2010 at 1:21 am

    Um trecho, q trata da “radicalização da Direita” no BR, q não está em seu recorte:
    “(…) Um desequilíbrio tamanho entre os partidos é problemático. Novamente, o exemplo americano: fico impressionado não só com o radicalismo, mas com a histeria. Obama é chamado de Anticristo… O Brasil pode enveredar por aí.”

    Ora veja vc, o Bush – coitado – foi recorrentemente taxado de coisa pior. Chama-lo de anticristo era fichinha. Aí ninguém falava em “radicalismo da Esquerda”. Agora basta um punhado de meia dúzia fazer o mesmo, e se cria o espantalho do “risco q o radicalismo de Direita representa p/ Democracia americana” (estou extrapolado, é claro, isso não se depreende pela entrevista)…
    A entrevista no geral é boa, ainda q se perceba a pretensão à crítica isenta, sem ser evidentemente isenta.

    Com relação ao negócio das Cotas, eu acho uma bobagem querer execrar o Demóstenes por algumas bobagens / falhas em seus argumentos. O cara tem coragem de dar a cara à tapa em um meio francamente hostil na imprensa, academia e “boa opinião pública”.

  21. #21 NPTO
    on Apr 10th, 2010 at 1:29 am

    André, é isso que você falou, mesmo. Se a mídia partidarizar totalmente e perder credibilidade, para de funcionar, fecha. Por exemplo, deve ter um monte de denúncia verdadeira na Veja, mas eu já vi ela distorcer tanto que simplesmente não me comove mais. Assim como, se sair na Caros Amigos, "Serra é ladrão", eu só posto aqui se uma fonte mais independente confirmar.

  22. #22 NPTO
    on Apr 10th, 2010 at 1:31 am

    "Essa classe média baixa acendente pode até ver Globo, mas não ouve CBN e deve ler é O DIA. Quando ela se sofisticar, pode haver um filão que não se pode deixar dando bandeira. "

    Pode ser, sim. Mas aí também tem a questão, será que a gente devia fazer um jornal? Será que jornal, do jeito que existe, vai continuar existindo? Ou, pelo menos, tendo a mesma importância?

  23. #23 NPTO
    on Apr 10th, 2010 at 1:32 am

    Carlos, não entendi nada. O cara atirar para os dois lados é a mesma coisa que o Olavo de Carvalho faz?

  24. #24 NPTO
    on Apr 10th, 2010 at 1:32 am

    Pois é, não entendi direito.

  25. #25 NPTO
    on Apr 10th, 2010 at 1:34 am

    Cara, eu não entendi nem exatamente quem era o reacionário.

    E cuidado aí com o "Morreu o Neves". O Neves é é muito vivo, e pode decidir a eleição :)

  26. #26 NPTO
    on Apr 10th, 2010 at 1:44 am

    Aí, Diego, foi mal, e parabéns por uma entrevista brilhantemente conduzida. Coisa fina.

    2) Pô, e eu crente que tinha feito uma puta descoberta. Merda.

    3) Então, eu acho que é um choque de tendências, é mais ou menos como os intelectuais. O cara pode ter tendência, mas se ele não convencer um espectador razoável, não consegue avançar sua agenda. De modo que o fato do espectador está lá ouvindo garante um limite para a distorção.

    Imprensa é um puta cenário de luta política complexo.Tem cara achando que está fazendo análise distanciada e está fazendo política e, o que eu acho especialmente interessante, tem cara que acha que está só fazendo política mas não percebe os limites que a discussão pública deixa ele inventar.

    Preciso fazer um post sobre isso.

  27. #27 Hugo Albuquerque
    on Apr 10th, 2010 at 1:45 am

    O Brasil, como qualquer país, tem problemas claros, que não são fruto de uma hecatombe que aconteceu em algum ponto remoto da história, mas sim decorrem de um processo dinâmico – os negros não estão, a via de regra, lá embaixo da pirâmide social por conta unicamente da escravidão, mas porque nos últimos 121 anos processos políticos e econômicos, que aconteceram em paralelo ou de forma conexa, os mantiveram nessa condição. A questão é como resolver isso? O Comunista vai dar uma, o social-democrata outra, o trabalhista idem, o Liberal idem – e é importante que a Democracia esteja ali funcionando sim, como elemento neutralizante de certos impulsos do baixo ventre -, o que não se pode é esperar que uma força que negue a problemática toda e busque manter o status quo possa ser nivelado moral e politicamente aos demais – ou que sua fricção com as diversas agremiações que buscam soluções seja produtiva.

    Enfim, o meu ponto é que um eventual Partido Conservador simplesmente não seria solução para nada, creio que uma democracia de verdade se constrói e se mantém da fricção entre as diversas correntes de pensamento – não necessariamente consubstanciadas como partidos – e as soluções que elas propoem, não da negação dos problemas – ainda que isso deva ser tolerado, dentro de um cenário que obrigue e permita um debate público amplo e real, onde mesmo polêmicas falsas sejam resolvidas pela via da argumentação. No Brasil, um Partido Conservador atuaria defendendo a manutenção da organização fundiária e do trabalho urbano tal com ele, isso não pode ser nivelado eticamente aos movimentos propositivos, seria como nivelar a UDR a qualquer um que fale de uma Reforma Agrária (de Antônio Ermirío de Moraes ao MST).

    Existe também o ponto da própria artificialidade de um sistema desses. Como isso seria? Como o Partido Conservador e o Liberal do Brasil Império? Isso brotaria de onde? Isso se manteria como?

  28. #28 NPTO
    on Apr 10th, 2010 at 1:46 am

    Eis o que acho: surgirá um partido de direita. Muita gente que está no PSDB vai pra lá. Quem não for, vai se aproximar do PT, ou do que tiver sobrado dele depois do sexo selvagem com o PMDB.

  29. #29 NPTO
    on Apr 10th, 2010 at 1:46 am

    Cara, bom mesmo, vou linkar.

  30. #30 NPTO
    on Apr 10th, 2010 at 1:47 am

    Sergio, essa parte é mais fraca, mesmo. Mas acho que a questao do acesso à universidade existe. Ou vai existir eventualmente.

  31. #31 NPTO
    on Apr 10th, 2010 at 1:48 am

    que é uma certeza adm? E, mais importante, o que é correr do pau pela via indireta?

  32. #32 Hugo Albuquerque
    on Apr 10th, 2010 at 1:51 am

    E, claro, os partidos irão crescer e se manter de acordo com o voto e o seu prestígio. O PT, muito longe de qualquer onipotência política no Brasil, tem o espaço que tem porque se mostrou relativamente melhor do que os demais – em que pese as distorções que certos elementos provoquem nesse nosso tipo de Democracia como o próprio Bobbio já dizia. Se alguém estiver achando ruim, que construa uma agenda propositiva melhor – e o que o próprio PT se manque e perceba (como eu acho que ele percebe em uma boa gradação) que as coisas mudam. Seria bom haver um contraponto organizado ao projeto petista? Sim, mas desde que fosse uma superação desse projeto, porque empecilhos, existem aos montes, eles só não conseguem se tornar majoritários porque, apesar de toda ajuda, não tem projeto nenhum, são apenas a afirmação pela negação do projeto do PT…

  33. #33 NPTO
    on Apr 10th, 2010 at 1:56 am

    Hugo, quem diz que o PMDB não tem chefe, nesse ponto você e o LFA estão de acordo. Quanto ao partido conservador, creio que ele quer dizer liberal. E eu acho que faz sentido. Concretamente, a esquerda e a direita se desenvolveram meio que por oposição uma à outra, e há uma certa complementaridade entre os dois.

    Por exemplo, digamos que haja um negócio inevitável de fazer, mas que contraria os sindicatos no curto prazo. A esquerda vai ter que estar muito forte para poder administrar isso, para a direita é mais fácil. Por outro lado, a esquerda vai ter mais desenvoltura para contrariar interesses empresariais, o que também vai ser necessário outras vezes.

    Não sei bem a que contexto se referia o velho Gorba, que muito respeito, mas sempre é melhor ter ditadura de dois partidos (e você pode jogar um contra o outro) do que de um.

  34. #34 NPTO
    on Apr 10th, 2010 at 1:57 am

    Concordo com tudo.

  35. #35 gabs
    on Apr 10th, 2010 at 2:08 am

    NPTO
    Sobre uma aliança entre PT/PSDB, é isso que eu sempre pensei. A coalizão entre duas forças dominantes abre espaço para uma nova oposição e leva ao fim uma das forças antigas. Foi o que aconteceu na Inglaterra com os liberais, após se aliarem aos conservadores, não foi? (Acho que li isso em algum lugar, mas posso ter sonhado com essa história).
    Tá certo que é uma situação típica de país com eleição parlamentar majoritária, mas no Brasil as eleições presidenciais têm tendido ao bipartidarismo anyway.

  36. #36 Hugo Albuquerque
    on Apr 10th, 2010 at 2:16 am

    Realmente, erro meu mesmo, quem disse isso foi você, não o Alencastro. Mas eu não vejo um partido verdadeiramente liberal como um partido conservador em um sentido puro (às vezes, muito pouco), mas eu não vejo essa complementariedade entre os dois campos da política não, principalmente, se levarmos em conta quem eles representam em tese – essa "inevitabilidade" é o que eu tenho medo, menos, no entanto, do que o conceito de "realismo" (e eles, infelizmente, não se limitam ao espectro da direita). O velho Gorba (mais que foi resolver o problema certo do jeito errado na HIstória, no caso, verticalmente e alheio à realidade) dizia que para a democracia russa progredir, dependeria da existência de um partido social-democrata e de um liberal fortes – o que é um pouco confuso para mim, afinal, porque necessariamente um país do tamanho da Rússia dependeria de ter apenas dois partidos apenas? Será que todas as demandas e pontos de vista se limitariam a uma espécie de binarismo retroalimentador? Será que isso não ignoraria que defender a igualdade não poderia se dar ao mesmo tempo e na mesma intensidade que a defesa da liberdade (e vice-versa)? E como esse binarismo brotaria? Será que não daria para resolver essa questões pelo próprio mecanismo de pesos e cotra-pesos do Estado? E, por que necessariamente partidos?

    P.S.: Sim, talvez uma ditadura de partido duplo seja melhor do que uma de partido único, mas ainda assim não é bom.

  37. #37 @fscosta
    on Apr 10th, 2010 at 3:27 am

    Miriam Leitão pô. Essa coluna é histórica e está no meu blog. Aliás, nada dá mais pageview que criticar a Miriam.
    http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/200...

    Outra coisa, as duas hipoteses sobre o Valor estão erradas. E vc como sociologo e economista (rs) deveria saber que a elite economica nao rasga nota de 100.

    O Valor ainda faz jornalismo, pq pro seu publico, aquela informação é o que vai fazer a diferença entre lucro e prejuizo no fim do dia.

    E mexe no bolso desses caras pro'ce ver…

  38. #38 Arthur
    on Apr 10th, 2010 at 4:29 am

    O Jornal da o que os leitores querem.
    http://www.econbrowser.com/archives/2010/02/what_...

  39. #39 Luiz Candido
    on Apr 10th, 2010 at 4:53 am

    Celso,

    Eu vou fazer um comentário que provavelmente será considerado “off topic”, forçado, tendencioso etc, mas como se trata de um assunto muito importante, insisto em colocá-lo.

    Trata-se do malogro de uma das melhores iniciativas já feitas neste país, a proposta de proibição de candidaturas de pessoas condenadas pela justiça, mesmo que ainda caiba recurso. Copio um trecho da Folha de SP do último dia 08. Sei que a Folha tem credibilidade nula entre os petistas, mas esta notícia pode ser facilmente conferida:

    “Sem apoio da base aliada ao governo, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), decidiu adiar novamente a votação do projeto que prevê a inelegibilidade de políticos com ficha suja. Entidades civis reclamaram do adiamento.
    A nova previsão para que a proposta volte a ser analisada é a primeira semana de maio.
    Com o novo adiamento, deputados favoráveis ao projeto admitiram que a possibilidade de as mudanças valerem já para esta eleição é praticamente nula. Segundo eles, o texto teria que ser aprovado até as convenções de junho para começar a valer já para outubro.
    Desta vez, o texto chegou a entrar na pauta do plenário, mas, como foram apresentadas emendas, o projeto acabou retornando à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).
    O recuo foi possível porque os líderes da base não quiseram assinar requerimento de urgência, ou seja, não deram prioridade para o assunto. Com isso, como receberia emendas que o modificam, o projeto retorna obrigatoriamente à CCJ.
    Ontem, PSDB, DEM, PPS, PDT, PSOL, PHS, PSC e PV assinaram o pedido de urgência, o que somou o apoio de 188 deputados. Se fossem reunidas 257 assinaturas, o texto seria analisado direto no plenário, sem precisar dar um passo para trás.”

    Vejam que nem era necessário que o PMDB apoiasse, bastava o PT… Tenho certeza que o Idelber teria uma enxurrada de argumentos justificando tal abstenção, mas eu gostaria de saber o que você pensa a respeito.

    Desta forma, eu não vejo como a opinião otimista do André, “Acho meio cedo para arriscar o que vai acontecer, mas a história das eleições parece mostrar que, mesmo pouco politizado, o eleitor tem melhorado suas escolhas com o passar do tempo”, pode se realizar, pois se o eleitor só puder escolher entre bandidos, jamais poderá votar bem.

  40. #40 Carlos
    on Apr 10th, 2010 at 12:50 pm

    Não, a situação da classe média "antiga", colocada pelas políticas do Governo Lula numa tenaz entre a Burguesia de um lado, o sindicalismo e a turma do bolsa família de outro, fazem com que ela, a classe média tradicional, sinta-se ressentida com ambos (Burguesia e "povo-massa"), e é este ressentimento concreto que é o núcleo real das mitologias de Extrema Direita sobre , e.g., PSDB=PT=Foro de São Paulo. Só que, numa situação de crise, os "de cima" poderão vir a achar conveniente juntarem-se com a classe média contra a "massa", e aí, sai de baixo…. É isso.

  41. #41 Carlos
    on Apr 10th, 2010 at 12:52 pm

    errata: FAZ com que ela…"

  42. #42 Carlos
    on Apr 10th, 2010 at 1:43 pm

    Quem era o reacionário: TODOS. O Governo Lula é muito conservador, a classe média velha mais ainda. As lutas políticas no Brasil se travam dentro do campo conservador, não existe contestação da ordem burguesa em si. O que existe é uma disputa sobre o caráter político da mesma, mais ou menos inclusivo.

  43. #43 fabio
    on Apr 10th, 2010 at 2:27 pm

    Reacionário é quem reage a alguma transformação para retornar a uma situação anterior, o que não é o caso deste governo.

    Conservador tudo bem.

  44. #44 Logan
    on Apr 10th, 2010 at 3:34 pm

    Alguem tá sabendo da história de que Jobim autorizou a instalação de uma base americana no rio? Alguem aí confirma?

  45. #45 fps3000
    on Apr 10th, 2010 at 3:59 pm

    Eu costumo ligar o modo Poliana quando se fala de textos como esse: acredito piamente que o Brasil, em condições normais de temperatura e pressão (regime democrático consolidado plenamente), tende a reproduzir o bipartidarismo através dessa briga entre socialdemocratas do PT e socialliberais do PSDB-DEM, que é o que de fato esses dois grupos políticos são – duas visões de governo forte para uma sociedade que gosta de paternalismo estatal, ou de Estado presente, qualquer que seja o nome que isso dá.

    Sob esse ponto de vista o PMDB representa o "centrismo", que existe para representar os pragmáticos que vêem ênfase política nos resultados e não nas idéias – ou o "federalismo" de um país grande como o nosso.

    E, antes que me esqueça: está comprovado que o PMDB é como as baratas, ou seja, qualquer reforma política deverá fortalecê-lo ao invés de enfraquecê-lo, ou exterminá-lo, já que o que mais tem no Brasil é gente pragmática na política …

  46. #46 @fps3000
    on Apr 10th, 2010 at 4:02 pm

    Mas qual projeto político seria contraponto ao do PT, Hugo? O de um liberalismo puro, do tipo "eu por minha conta e o Estado por ninguém"?

  47. #47 Radical Livre
    on Apr 10th, 2010 at 4:08 pm

    O Mauro Santayana falou sobre isso na coluna dele no JB de ontem. O PHA repercutiu: http://www.jblog.com.br/politica.php?itemid=20513

  48. #48 Lourival Pessanha
    on Apr 10th, 2010 at 4:26 pm

    Por acaso o Mauro Santayana é o mesmo que fora empregado do ditador cubano Fidel Castro? Que país é esse em que um ex-funcionário de uma ditadura estrangeira se torna um cidadão respeitável? Mauro Santayana, és um canalha… Um lambe-botas de ditador…

  49. #49 J_P_Rodrigues
    on Apr 10th, 2010 at 4:41 pm

    Um jornal isolado não, mas uma rede, quem sabe. Afinal, a força dos grandes grupos está nisso: portal, jornal, TV, rádio. Internet e jornal (ou revista) não são coisas tão caras, comparativamente ao menos. Dá para começar por aí. Quer dizer, tem que pelo menos tentar – e tem que sar algo ágil, nada daquele peso que tem numa Carta Maior, por exemplo.

  50. #50 J_P_Rodrigues
    on Apr 10th, 2010 at 4:56 pm

    Entendi. Mas eu não sei se haveria esse distanciamento, pode derivar para um estilo americano.

  51. #51 J_P_Rodrigues
    on Apr 10th, 2010 at 4:57 pm

    Nem se houver um acordo num programa palatável aos dois lado?

  52. #52 Carlos
    on Apr 10th, 2010 at 6:34 pm

    Bom, é isso: os mesmos fatores, dependendo da circunstância, podem produzir coisas diversas. Chama-se dialética, como você certamente sabe.

  53. #53 Saladino
    on Apr 10th, 2010 at 8:16 pm

    Merval Pereira?

    Reinaldo Azevedo?

    Bem, a julgar pelas manchetes repercutindo o discurso do Serra (http://ow.ly/1wTZg) quem pauta a oposição é Diogo Mainardi (http://ow.ly/1wTY9).

    Pois é.

  54. #54 Lelec
    on Apr 10th, 2010 at 8:38 pm

    "Intelectual bom, jornal bom, entrevista boa."

    Ô NPTO, faltou completar com "jornalista bom". Aliás, chamar o DiEgo de "bom" é falar mentira, porque ele é ótimo. Eu vou pedir a autorização dele para que eu possa colocar no meu CV que somos amigos.

    Ele é um grande amigo, com o único defeito de ser tricolor.

    Abraço

  55. #55 Saladino
    on Apr 10th, 2010 at 10:50 pm

    Os links corretos são:http://ow.ly/1wTZg ehttp://ow.ly/1wTY9.

  56. #56 Donnie_Darko
    on Apr 11th, 2010 at 6:48 pm

    Lembro-me de um seminário em que eu fui, promovido pelo iFHC e pela Fundação João Pinheiro em que se encontravam Mendonça de Barros e um Deputado Federal do PT de Juiz de Fora. Esse deputado, quase tucano, dizia que ele era meio "pelicano" (petista + tucano)… o comentário final do post me lembrou desse feito. Bem… Acho que em Minas é evidente a aproximação do PSDB com uma esquerda mais conservadora, muito mais do que em São Paulo. Mas o PSDB de Minas é mesmo muito diferente de São Paulo… não creio que haja uma desarticulação. O negócio é que essa discussão esquerda e direita sempre vai ser difícil na minha opinião. Acho que isso vai deixar de existir um pouco, aí sim surgiria pólos de conservadores e progressivos. Mas… ainda assim, conceitos difíceis. Várias líderes progressistas tiveram que conservar valores e feitos precedentes para que fizessem algo "progressivo".

  57. #57 NPTO
    on Apr 11th, 2010 at 11:39 pm

    Acho que entendi. Bom, é torcer para não ter situação de crise, então.

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