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Source:  http://www.jornalopcao.com.br/index.asp?secao=Imprensa&subsecao=Colunas&idjornal=112
Goiânia, 09 de agosto de 2009
De: 19 a 24 de dezembro de 2004

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  Imprensa

Euler de França Belém
ffeubel@uol.com.br

Enciclopédia e guerrilha — O historiador Romualdo Pessoa Campos Filho, professor da Universidade Federal de Goiás, é autor do verbete Guerrilha da Enciclopédia de Guerras e Revoluções do Século 20 — As Grandes Transformações do Mundo Contemporâneo (Editora Campus), organizada por Francisco Carlos Teixeira da Silva.

Romualdo é autor do livro Guerrilha do Araguaia: A Esquerda em Armas (Editora UFG).


 
Mulheres apaixonadas
 

Renato Aguiar é responsável pela belíssima tradução do romance Mulheres Apaixonadas (Editora Record, 557 páginas), de D. H. Lawrence. A nova versão põe a anterior no chinelo.

Na apresentação, Aguiar escreve que, nesse romance, o preferido de Lawrence (também grande poeta), o escritor “disse a verdade tal como a via: a decadência das classes antagônicas, o impasse das relações amorosas e pessoais, a futilidade do mundo boêmio e das artes, a esterilidade do mundo intelectual: o mundo só poderá ser salvo da destruição se, no ‘rio negro da corrupção’, o homem e a mulher se redescobrirem e unirem, sem abrir mão da sua singularidade universal”.

Publicado em 1920, o romance passou por uma censura rigorosa na Inglaterra. Pornográfico? Nada disso, mas cada época vê o que quer e como quer.


 
Alexandre, o Grande
 

Leitores, sobretudo estudantes, me perguntam a respeito de livros sobre Alexandre, o Grande. A helenista francesa Claude Mossé é autora de Alexandre, o Grande (Editora Nova Alexandria, 248 páginas). Não li, mas Mossé é uma historiadora reconhecida pela seriedade e segurança de seus trabalhos.

Em Vidas Paralelas (Editora Paumape, com tradução direta do grego por Gilson César Cardoso), Plutarco escreve a biografia clássica de Alexandre, o homem que se tornou rei da Macedônia aos 20 anos. Alexandre, segundo Plutarco, dizia aos seus aliados: “Não sabeis acaso que a garantia de nossa vitória é comportamo-nos de maneira diferente dos vencidos?” Na Pérsia, leu o epitáfio gravado na tumba de Ciro e ficou abalado: “Ó homem, quem quer sejas e donde quer que venhas — pois bem sei que virás —, eu sou Ciro, que deu o império aos persas. Não invejes, pois, este pouco de terra que cobre meu corpo!” Segundo Plutarco, “tais palavras afetaram profundamente Alexandre, fazendo-o compreender a incerteza e a instabilidade da condição humana”. Plutarco é, mais do que um historiador comum, um grande escritor.

Mary Renault é autora de O Gênio de Alexandre (Editora Nova Fonteira, 240 páginas). A edição é rica em ilustrações.

Os leitores que escreveram para o Jornal Opção estão interessados no filme Alexandre, de Oliver Stone.


 
DEU NA FOLHA DE S. PAULO
 

Editora plagia tradução antiga de clássico

Edição recente de “Oblomov”, do russo Ivan Alexandrovitch Gontcharov, é cópia de versão publicada em 1966

LUIZ FERNANDO VIANNA - Da Sucursal do Rio

Só há uma edição disponível no Brasil de Oblomov, um dos maiores clássicos da literatura russa. Pois essa edição é repleta de erros e a tradução do romance de Ivan Alexandrovitch Gontcharov (1812-1891) é um plágio absoluto.

Publicado em 2001 pela pequena Germinal (não confundir com a Edições Germinal), o livro é uma cópia da tradução feita pelo poeta mineiro Francisco Inácio Peixoto (1909-1986) e publicada em 1966 pela Edições O Cruzeiro.

Alertado pelo professor Anselmo Pessoa, da Universidade Federal de Goiás, o jornalista Euler Belém, do semanário Jornal Opção, de Goiânia, publicou texto sobre isso em 28 de novembro. Como ele ressalta, resenhas feitas por José Maria Cançado, na Folha, em 2002, e Arthur Danton, no site TodaPalavra, em 2003, já apontavam estranhezas na edição, mas ainda não tinham cravado a hipótese de plágio.

A Folha teve acesso aos livros de 1966 e 2001. O plágio vai da primeira à última página. Não houve qualquer preocupação em disfarçar a cópia, sendo reproduzidos trechos complexos como o seguinte: “Este, como um pássaro em liberdade, esvoaçava-lhe no rosto, adejava-lhe nos olhos, pousava-lhe nos lábios entreabertos e aninhava-se nas rugas da fronte, para logo desaparecer”.

Houve tentativas de atualizar a ortografia, já que a tradução de Peixoto é anterior à reforma de 1971. Mas até nisso a cópia falha. Há casos em que o acento foi erradamente retirado, como em “have-lo” (havê-lo), na página 50. Outros em que se deixou, por equívoco, o acento, como em “fêz” (fez), nas páginas 61 e 68.

Há ainda centenas de erros de digitação, pontuação e frases truncadas. Danton chegou a contar 270 incorreções. Belém parou de contar no centésimo erro, na página 146 (o livro tem 552). Alguns vêm da edição de 1966.

“Papai era perfeccionista e ficou decepcionado com os erros de revisão”, lembra Maria Cristina, filha de Peixoto. Dos sete filhos do poeta, cinco estão vivos. A família buscará reparação na Justiça.

A “tradução” da Germinal é assinada por Juliana Borges. A edição, por Gabriela Borges. Elas são filhas do advogado, sociólogo e jornalista Wilson Hilário Borges, morto em 20 de março de 2002, aos 62 anos.

Segundo a jornalista Vera Lúcia Rodrigues, 49, que diz ter vivido 22 anos com Borges sem se casar no papel, Juliana e Gabriela não têm relação com Oblomov nem com qualquer outro livro da Germinal. Todas as edições seriam cuidadas por Borges, que teria criado a editora como uma espécie de hobby para seus últimos anos de vida, nos quais enfrentou um câncer. De acordo com Vera Lúcia, Borges editou Oblomov num laptop enquanto estava internado, em 2001. “Digo com toda sinceridade que não tenho idéia do que aconteceu. O Wilson cuidava de tudo. Mas não é meu objetivo lesar ninguém. Se alguém foi lesado, vamos buscar reparar.” A jornalista diz também não ter informações sobre outros livros do catálogo da Germinal. Entre eles, estão Chegada e Partida e Ladrões na Noite, ambos de Arthur Koestler, que aparecem como traduzidos por Juliana Borges. No momento, a Germinal só publica autores brasileiros.

Francisco Inácio Peixoto — ao lado de Enrique de Resende, Rosário Fusco e Ascânio Lopes — foi um dos fundadores da revista Verde (1927-29), um dos marcos do movimento modernista e que ajudou, com o cinema de Humberto Mauro, a pôr a pequena Cataguases no mapa cultural.

Peixoto lançou livros de poesia e prosa e Passaporte Proibido, sobre sua viagem à Rússia. Embora conhecesse um pouco de russo, sua tradução foi feita a partir do francês. Escrito em 1859, Oblomov era considerado pelo crítico Otto Maria Carpeaux como o romance do “enfado universal infinito”. Para ironizar sua própria passividade, o personagem-título cria a expressão “oblomovismo”, que se tornou sinônimo de inércia na Rússia. (Texto transcrito da Folha de S. Paulo de sábado, 11 de dezembro)


 
Oblomov e Carpeaux
 

O escritor Antônio José de Moura (que está com um romance no forno) envia capítulo do livro História da Literatura Ocidental (Edições O Cruzeiro — a mesma da primeira edição de Oblomov), de Otto Maria Carpeaux, no qual há uma breve análise da obra de I. A. Gontcharov — “um parnasiano russo”.

Segundo Carpeaux, homem de cultura enciclopédica, “Gontcharov é, para a literatura universal, o autor de um livro só, do romance Oblomov: um dos maiores livros de todos os tempos. (...) O romance simboliza a imobilidade da sociedade russa, apoiada na paciência ociosa dos senhores e na paciência trabalhosa dos servos. (...) Oblomov é o poema da preguiça divina, um poema homérico. Gontcharov realizou o que Púchkin sonhara: em língua russa, uma obra grega”.

Carpeaux aproxima o romance A Queda, de Gontcharov, da prosa fina de A Educação Sentimental, de Flaubert.

Em Pensadores Russos (Companhia das Letras), Isaiah Berlin diz que Gontcharov é um autor do segundo time, mas só quando comparado a gigantes como Púchkin, Gógol, Dostoviéski, Turgueniev e Tolstói. Em Pelo Prisma Russo (Edusp), Joseph Frank discute rapidamente a prosa e a biografia do autor russo. “Gontcharov foi um ser humano retraído, reservado, bastante tímido, que passou boa parte da vida como alto funcionário público (serviu por muitos anos como censor de literatura) e que, depois de um dado momento, certamente sofreu de uma leve paranóia. Muito amigo de Turgueniev durante um tempo, mais tarde acusou seu colega romancista de ter roubado algumas de suas idéias ainda não publicadas e de tê-las usado ele mesmo, como também de tê-las passado para Flaubert, George Sand, os Goncourts e outros.”


 
Lincoln era gay?
 

Os intelectuais gays, sobretudo os ativistas, estão mergulhados numa guerra — com as armas da maledicência e da pesquisa forçada — para provar que determinadas personalidades históricas foram gays. Nos Estados Unidos, a vítima preferencial é Abraham Lincoln, o presidente que abriu (ou reabriu) as porteiras ao capitalismo ao unificar Norte e Sul e ao abolir a escravatura. Na semana passada, reportagem do New York Times, assinada por Dinitia Smith (e republicada pelo Universo Online/Mídia Global, com tradução de George El Khouri Andolfato), registrou, que no livro The Intimate World of Abraham Lincoln (O Mundo Íntimo de Abraham Lincoln), que será publicado em 2005, C. A. Tripp conta que o presidente norte-americano, assassinado em 1865, “teve um relacionamento homossexual” com Joshua Speed e David V. Derickson.

Ativista gay, o psicólogo Tripp diz que Speed e Derickson dormiram na mesma cama de Lincoln. O professor David Herbert Donald, professor de Harvard e autor de We Are Lincoln Men, contesta Tripp. Este historiador diz que, “nos tempos de fronteira, o espaço era apertado e homens dividiam camas” e garante que, no tempo de Lincoln, “ninguém sugeriu que ele e Speed eram parceiros sexuais”. “Além disso, Lincoln citava abertamente o relacionamento deles, dizendo: ‘Eu dormi com Joshua por quatros anos’. Se fossem amantes, escreveu Donald, Lincoln não mencionaria tão livremente.”

Há indícios de que Tripp concluiu que Lincoln era homossexual antes de apresentar as “provas” (pura interpretação), tanto que um de seus companheiros de pesquisa, Philip Nobile, o denunciou por “ter fabricado evidências da homossexualidade” do presidente americano. “O livro de Tripp é uma fraude”, sustenta Nobile. Sim, mas uma fraude que mereceu destaque no Times.

Lincoln se tornará, daqui pra frente, uma propriedade do movimento gay. Mesmo que não tenha sido gay, e sim dotado de uma sensibilidade acima da média, a semente da maledicência e da insânia está plantada e tende a germinar pelos séculos e séculos. Lincoln é gay — porque assim quer o movimento gay. Quem discorda deve ser gay também. É mesmo uma pena que os intelectuais homossexuais sejam tão redutores.


 

História do Molipo — Com o apoio do ministro José Dirceu, amigo íntimo do camarada Fidel Castro, o jornalista Fernando Morais vai escrever um livro para explicar o que aconteceu com os militantes do grupo Primavera-Molipo, que, depois de saírem de Cuba para fazer revolução no Brasil, no início da década de 70, foram liquidados pelos militares.


 
Hagiografia ou biografia de Roberto Marinho
 

O crítico de teatro George Jean Nathan escreveu que bebia para tornar as pessoas interessantes e Paulo Francis cansou de repetir que a frase não era sua, mas do americano. Numa entrevista ao site no mínimo, Bial diz que a frase é de Francis. Não adianta mesmo corrigir.

Na entrevista, muito boa e razoavelmente polêmica, um dos entrevistadores pergunta se, com a biografia Roberto Marinho (Jorge Zahar Editor), Pedro Bial não está criando o mito do homem sem defeitos. O jornalista responde, aparentemente meio constrangido: “Não tem defeitos no livro? Caramba, isso é uma crítica séria... Eu procurei apontar, mas então eu acho que não fui bem-sucedido. Tem a ganância, não é? Mais que defeito, é considerado até um pecado, e está dito lá com todas as letras que ele era um homem ganancioso, que em primeiro lugar só pensava nas suas empresas... Bom, talvez isso não seja um defeito para um empresário. Falo também da teimosia, que ele foi um pai ausente. Era um homem que demitia fácil, eu acho que isso fica claro no livro, tinha um coração duro. Também tinha afetos arrebatados e um dia se cansava, pessoas de quem ele não desgrudava eram chutadas de repente para escanteio. Talvez isso eu pudesse ter explicitado mais, mas era uma característica dele”.

Leitores me perguntam se o livro de Pedro Bial é ruim, se é uma hagiografia. Para ser franco, não li a obra inteira, mas posso atestar que, se tem falhas, o trabalho do jornalista da TV Globo lança as bases para a biografia “definitiva” de Roberto Marinho. Há uma certa superficialidade, mas há muitas informações interessantes sobre o jornalista provavelmente mais influente da história brasileira. Superior até a Assis Chateaubriand, o empresário-jornalista que, gabando-se de fazer presidentes, na verdade nunca fez nenhum.


 
Guedes deixa JB
 

Sylvio Guedes, o jornalista que dinamizou o Caderno Brasília, e o fotógrafo José Paulo Lacerda deixaram o Jornal do Brasil.

Segundo o Comunique-se, Guedes e Lacerda saíram do JB porque, com as demissões recentes, ficaram sobrecarregados. Guedes foi substituído por Rosana Garcia.

No Rio de Janeiro, o JB enfrenta uma guerra mortal com O Globo


 
Guerra de 32 gerou Estado Novo
 

O site no mínimo (www.nominimo.com.br) publicou uma entrevista imperdível do historiador norte-americano Frank D. McCann, da Universidade de New Hampshire. McCann é autor do livro Soldiers of the Patria — A History of Brazilian Army 1889-1937, que a Companhia das Letras lança em Janeiro de 2005.

Cito dois trechos da notável entrevista de McCann. O primeiro: “O que muitas vezes é deixado de lado é o fato de que boa parte das Forças Armadas brasileiras foi contrária à tortura. Eu posso afirmar sem medo que, literalmente, este foi um tópico que separou, para sempre, membros de uma mesma família”. O segundo: “A maior parte da ‘literatura’ da Guerra Civil de 1932 em São Paulo não nos serve de base porque é uma grande distorção, um mito criado para transformar Getúlio Vargas em uma figura odiosa. A Guerra Civil contribuiu decisivamente para o endividamento do país e para a crise que levou ao Estado Novo. Vou além: sem a Guerra Civil de 1932, talvez não houvesse uma ditadura no Brasil nos anos 40”. Uma tese ousada, que Eduardo Graça, o entrevistador, não soube explorar.


 
Paulo Roberto
 

Técnico competente, Paulo Roberto Costa Ferreira, que morreu na semana passada, era uma espécie de ideólogo do grupo do senador Maguito Vilela.

Paulo Roberto foi colaborador do Jornal Opção e escrevia muito bem, com sabor de cronista.


 
Sabe com quem está falando...
 

Uma colunista do Pop deu uma carteirada num shopping de Goiânia. Mesmo assim, não conseguiu intimidar a dona da loja.

A jornalista queria comprar uma bolsa à força, mesmo tendo sido informada de que o objeto já havia sido vendido para outra pessoa. “Mas eu sou colunista de O Popular, minha senhora”, dizia, histérica, a colunista.


 
Cileide demite Rosenwal
 

Rosenwal Ferreira e Cileide Alves: críticas do primeiro incomodaram a editora-executiva do Pop
Depois de escrever um artigo por semana durante 14 anos em O Popular, o jornalista e publicitário Rosenwal Ferreira, que recebia uma gratificação simbólica, foi “demitido” pela editora-executiva Cileide Alves. O jornalista passa a colaborar com o Diário da Manhã a partir de 5 de janeiro.

O articulista foi afastado por dois motivos: fez críticas públicas à editora Cileide Alves e teria usado o espaço do jornal para fins particulares.

No seu programa na Rádio Interativa, Falando Sério, Rosenwal Ferreira disse que Cileide Alves não destacava os artigos dos colaboradores e profissionais do jornal na primeira página. Mas na segunda-feira, estando o artigo quente ou morno, a jornalista faz questão de publicar uma chamada na primeira página destacando seu texto. Cileide Alves, segundo Rosenwal Ferreira, não gostou da crítica, que considerou antiética, sobretudo por partir de um colaborador do Pop. “O contencioso entre os dois jornalistas não começou agora e Cileide Alves sempre quis rifá-lo”, afirma um jornalista do Pop. “A saída de Rosenwal Ferreira foi comemorada por vários repórteres e editores. A maioria o considera excessivamente vaidoso e sem muito conteúdo”, acrescenta. O Jornal Opção não conseguiu falar com Cileide Alves. A jornalista teria dito ao ex-colega, frente a frente: “Não gosto de seus artigos”. E teria acrescentado: “Você se julga acima dos outros”.

Rosenwal garante que não tem queixas da Organização Jaime Câmara. “Colaborei durante mais de uma década e nunca recebi uma crítica negativa dos diretores e proprietários. Só uma vez a redação mudou uma frase no meu texto e, assim mesmo, eu fui consultado”, disse Rosenwal Ferreira ao Jornal Opção.

A gota d’água para a queda de Rosenwal Ferreira foi um artigo em que denunciou um suposto casal de “caloteiros” — um italiano e uma brasileira que trabalham no ramo de restaurante.

Como o italiano, Roberto Cinquetti, foi sócio de Rosenwal Ferreira no restaurantes Benvenutti, localizado no Setor Oeste, a editora do Pop entendeu que o jornalista usou seu artigo não para discutir idéias, e sim para resolver negócios e pendências particulares.

A cheff Eliene Rosa, mulher de Roberto Cinquetti, diz que vai processar Rosenwal Ferreira, alegando que tem sido difamada pelo jornalista. Cinquetti sustenta que tem dinheiro para receber do ex-sócio. Rosenwal diz que não quer “brigar” com ninguém. “Sobrevivo de minha luta diária no jornalismo e na publicidade. Eu tenho uma história — são 25 anos de jornalismo.”


 
Pop recebe o Esso
 

Marília Assunção: vitória do talento
O Popular recebeu o Prêmio Esso na categoria Informação Científica, Tecnológica e Ecológica com a reportagem Câncer afeta 18 vizinhos do césio, escrita pela jornalista Marília Assunção.

A reportagem do Pop é mesmo muito bem-feita, séria do começo ao fim, e foi elaborada por uma jornalista talentosa. Repórter experimentada, que sabe lidar com temas espinhosos, como o do acidente radiativo, Marília Assunção mereceu o prêmio. A premiação também atesta a seriedade e o equilíbrio editorial do Pop. A vitória do jornal e da repórter é uma prova da excelência do jornalismo goiano, que só precisa ser menos tímido. Mais: a premiação por um tema local indica que o Pop precisa explorar melhor os temas regionais. Um exemplo: revistas nacionais e jornais, como o Estadão, perceberam a revolução que ocorre na região de Rio Verde (município que está superando Anápolis em arrecadação), mas os jornais goianos ignoram solenemente o crescimento (e relativo desenvolvimento) econômico do Sudoeste. Rio Verde não é mais a corrutela que está apenas na cabeça dos editores e repórteres de Goiânia, que não conseguem saltar o muro de Berlim que há entre a capital e o interior.

Jornalistas, dois do Pop e um do Diário da Manhã, ligam e dizem: “Marília Assunção tem um gênio difícil”. Primeiro, bons repórteres devem mesmo ser chatos, complicados. Segundo: há alguém que tenha algo na cachola que tenha o gênio fácil? Só os néscios (e os puxa-tudo) são cordatos. Terceiro, está em discussão não o “gênio” de Marília Assunção, mas o seu talento como repórter, que é indiscutível.

O editor-chefe do Pop, Isanulfo Cordeiro, escreveu uma nota na qual parecia o Faustão felicitando cantores e artistas. O editor citou tanta gente que, de certo modo, acabou por retirar o mérito individual de Marília Assunção. Certo, jornalismo é trabalho de equipe, mas é vital e saudável, até para reforçar o trabalho do repórter, investir no mérito do indivíduo. Não é lícito pegar carona no brilho alheio.


 
O Esso do Globo
 

O Prêmio Esso de Reportagem, o mais cobiçado, ficou com o jornal O Globo pela reportagem Bastidores do poder — Os homens de bens da Alerj.


 

Edição parada — Na quarta-feira, 15, o Pop publicou o título Justiça bloqueia bens de dois vereadores (Amarildo Pereira e Wladmir Garcêz, ambos do PSDB). No mesmo dia, o Diário da Manhã publicou um título — Tudo parado — que nada diz, ou melhor, diz muito sobre uma edição particularmente ruim.

O título do Pop é apropriado; o do Diário da Manhã reflete uma, digamos, licença poética.

Subtítulo problemático do DM: Iris oficializa pré-candidatura. Do ponto de vista lógico, é difícil afirmar que alguém “oficializa” uma pré-candidatura.


 
Dia da caça
 

Na semana passada, a “sequestradora” (ex?) Vilma Martins teve, finalmente, seu dia de caçadora. Exame de DNA provou que Christiane Michelle Martins da Silva é mesmo sua filha, portanto não foi seqüestrada como imaginavam 10 em cada grupo de 10 jornalistas.


 
Fantasia desfeita
 

“Iris anuncia seu primeiro escalão na sexta-feira, 17”, revela Ivan O Terrível Mendonça, titular da coluna Fio Direto, do Diário da Manhã. Ocorre que Iris não anunciou o secretariado na sexta, 17, ao contrário do que divulgou o jornalista.

Os jornais devem tomar o máximo de cuidado com datas em título.


 
Modernidade retardatária
 

Como diria Deusmar Barreto — um profissional moderno e requintado —, o Diário da Manhã ingressou mesmo na modernidade, pois já faz editorial até sobre cachorro mordedor.


 
Cinismo político
 

Jarbas Rodrigues Jr., além de melhorar a qualidade de suas notas, está apresentando textos com menos erros. Mas, como sempre, “engole” qualquer opinião, como uma de Maguito Vilela: “O PMDB em Goiás não tem cargos políticos, mas três técnicos (no Dnit, no INSS e na Funasa)”. Ora, Jarbas, os técnicos se indicaram? Claro que não. Eles foram indicados por políticos peemedebistas, portanto ocupam cargos políticos.

A resposta de Maguito é de um cinismo atroz, mas cabe ao jornalista esclarecer seu leitor


 
Jornalismo e investimento
 

Rodrigo Craveiro está se consagrando como um dos melhores repórteres do Pop, com facilidade para contatar cientistas de vários países.

O Pop deveria investir mais na formação do jornalista, sobretudo no aspecto científico. O jornalismo científico é incipiente em Goiás. Rodrigo tem aptidão. Falta mais incentivo.


 
Denúncia contra o Prêmio Esso
 

Os diretores de redação da Folha de S. Paulo, Otavio Frias Filho, e do Estadão, Sandro Vaia, enviaram carta à empresa Esso Brasileira e à RP Consultoria em Comunicação, que organizam o Prêmio Esso de Jornalismo, na qual criticaram a “composição do corpo de jurados e afirmaram que a estrutura atual do prêmio ‘conspira contra a análise do mérito jornalístico dos trabalhos’”.

Otavio Frias Filho denuncia: “A composição do corpo de jurados não é representativa do mercado editorial do país e tende a favorecer determinados grupos de mídia. Existe a percepção, em São Paulo e em outros centros importante do país, de que a premiação está demasiado sujeita às pressões da mídia estabelecida no Rio”.

Sandro Vaia faz uma acusação ainda mais grave: “Temos informações sobre a existência de sistemas viciados de votação, que acabam provocando resultados distorcidos. Pessoalmente fiz esse alerta aos organizadores do prêmio já no ano passado. Como o sistema permaneceu o mesmo, optamos por esse pedido de mudança de critérios, para que seja restabelecido o equilíbrio entre a mídia de todas as regiões do país”.

O diretor de redação da Veja, Eurípedes Alcântara, é taxativo, em entrevista à Folha: a premiação “não acrescenta nada ao trabalho jornalístico dos nossos repórteres. Justamente pela fraqueza do júri, pela fraqueza dos critérios, pela falta de transparência dos critérios. A Veja não participa do Prêmio Esso, em particular, por problemas muito específicos de falta de credibilidade. Dos outros prêmios, a gente vê caso a caso”.


 
Sem exclusividade
 

Na edição de domingo, 12, o Diário da Manhã estampou tarja de exclusivo para duas entrevistas, uma com Simone Silva Ramos, mulher do médico Marcelo Pacheco, e outra com o major Davi Dantas, suspeito de envolvimento na morte do ortopedista.

Ocorre que o Pop publicou no mesmo dia uma entrevista com Simone, e o militar já tinha dado coletiva à imprensa (a entrevista do Diário da Manhã não acrescentou qualquer informação nova).

Davi Dantas, o detetive particular de Vilmar Martins e o militar inativo do Exército Evandro Cesário foram presos pela polícia na sexta-feira, 17. Segundo um delegado veterano, Vilmar Martins é especializado em investigar casos extra-conjugais.


 
Show de abobrinhas
 

Adalto Alves teve o mérito de conseguir entrevista exclusiva com o cantor Leonardo. Como ele mesmo confessa, perseguiu o astro durante quatro meses até conseguir a entrevista. O resultado, todavia, foi pífio, não por culpa de Adalto, que sabe tudo de música e escreve muito bem.

O DMRevista gastou uma página inteira para desfiar as abobrinhas do astro que não consegue articular uma resposta interessante sequer. Leonardo nada disse que justificasse a capa do caderno e chamada na primeira página. Uma grande perda de tempo e espaço. Uma ressalva: do ponto de vista do grande público é provável que haja alguma repercussão. Detalhe: o grande público, respeitável grande público, está cada vez mais afastado dos jornais.

Espero que Adalto faça uma análise da música de Leonardo, mostrando se há alguma coisa prestável. Certa vez, Adalto publicou uma crítica certeira ao sr. Glória Pires, cantor cujo nome esqueci, e acabou perdendo o emprego (colaboração) no Pop. No Pop é assim: fez crítica, dançou.


 
Lessa e Capra
 

Caros Amigos publica uma entrevista polêmica do economista Carlos Lessa. Ele insiste que as elites estão enganando Lula — “o presidente está iludido de boa-fé” — e garante que “a proposta de Meirelles é liquidar os bancos públicos”.

A revista publica também uma entrevista de Fritjof Capra.


 
Gilvane no Sebrae
 

“Gilvane Felipe assume entidade e pretende concluir expansão”, informa o Diário da Manhã. Na verdade, não se pode dizer que o historiador assumiu a superintendência do Sebrae, pois ele foi reeleito para presidir a instituição por mais dois anos.

O Pop publicou o título certo, com texto de Mariza Santana: “Diretoria do Sebrae-GO é reeleita para mais dois anos”. Mariza, dona de excelente formação cultural, deveria receber mais investimentos da diretoria do Pop.


 
A falsa objetividade
 

Nelson Rodrigues criticava os idiotas da objetividade, com certa justiça. César Rezende, bom repórter, escreveu uma reportagem sobre a disputa pela presidência do time do Goiás. Lida a reportagem, o que concluir? Nada. Pois o leitor não fica sabendo quem é mais forte. A candidatura de Macalé não é, mas parece ser “laranja”, mas o Pop nada discute, não se posiciona.

O leitor do Pop certamente vai atrás de outro veículo para entender o que está acontecendo no Goiás. Infelizmente, se procurar o Diário da Manhã, também vai encontrar uma reportagem insossa.


 
Barriga geral
 

A imprensa errou “unida” sobre as eleições na Assembléia Legislativa. Todos os jornais, inclusive o Jornal Opção, apostaram em Afrêni Gonçalves ou Daniel Goulart. Deu Samuel Almeida, que, como dizem na gíria política, “comeu pelas beiradas”.


 
Boa notícia
 

A Câmara Federal rejeitou a criação do Conselho Federal de Jornalismo, o projeto stalinista que o governo Lula, com o apoio da Fenaj, tentou aprovar para controlar a imprensa brasileira.


 
Cartório
 

O leitor José Torres aponta um “cartório” na reportagem Major diz que fez pesquisa de preços no dia do crime, do Pop. A mulher do major Davi Dantas é apresentada como Geórgia Carla Bastos Dantas e como Geórgia Cristina.


 
Cadê a crítica?
 

Ana Maria Pacheco é uma grande artista plástica? Parece que sim. Mas não li na imprensa de Goiás nenhum estudo realmente crítico sobre sua obra. Ela é, isto sim, paparicada pelos jornalistas.

Siron Franco é criticado por gostar de aparecer — 99,9 por cento dos seres são vaidosos (a “minoria” é louca de pedra) —, mas nenhum jornal examina sua pintura a sério.


 
O deserto dos tártaros
 

Leio o Diário da Manhã e o Pop e busco pelo menos uma crítica de livro de autor goiano — crítica mesmo, ponderada ou dura — e não encontro nada. As resenhas são parvas, elogiosas e o mais medíocre dos autores acaba por acreditar que é parente próximo de Henry James e James Joyce.


 
Surpresa
 

João César Pierobon é um intelectual do primeiro time, de cultura enciclopédica. Ele escreve muito bem sobre música e, para minha surpresa, sobre literatura.


 
Nota infeliz
 

Ciça Carvello publicou nota, na coluna Spot, descrevendo o que vestia a advogada Geórgia Carla Dantas, mulher do major Davi Dantas, principal suspeito de participação na morte de Marcelo Pacheco. O texto pecou pela inutilidade, pois nada acrescentou. Ao tratar com ironia assunto tão sério, a colunista conseguiu desagradar gregos, goianos e policiais.


 
Meninão endividado
 

Comentário de um jornalista, depois de ler a notícia, escrita por Eduardo Reche, do Pop, sobre as dívidas de Wladmir Garcêz: “Ao se apresentar como endividado, e sobretudo ao não pagar o que deve — há papagaios até em pizzaria —, o vereador exibe um atestado de que não é uma pessoa de bem”.

Minha impressão, de jornalista, talvez por que ainda seja um pouco ingênuo, é que Garcêz é uma pessoa de bem — um meninão crescido.



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