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Source:  http://www.jornalopcao.com.br/index.asp?secao=Imprensa&subsecao=Colunas&idjornal=99
Goiânia, 09 de agosto de 2009
De: 19 a 25 de setembro de 2004

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  Imprensa

Euler de França Belém
ffeubel@uol.com.br

O último dos moicanos — O dono do Jornal do Brasil, Nelson Tanure, é mesmo um empresário implacável. Ele teve peito para enfrentar a história do JB, o jornal mais charmoso do país, o que não significa, hoje, qualidade, e demitiu o jornalista Wilson Figueiredo, de 80 anos, 46 deles passados na redação do veículo que um dia foi dirigido pela família Nascimento Britto. Wilson Figueiredo, jornalista notável, “foi demitido sem receber um tostão”, segundo Milton Coelho da Graça, do site Comunique-se.


 
JORNAL NACIONAL, 35 ANOS
 

Parceiros da ditadura .

PERY COTTA - Observatório da Imprensa

As pessoas ligavam para a Rádio JB e algumas, em irada e desafiadora cobrança, questionavam a cobertura das eleições de 1982. “Como vocês estão dando esses resultados tão diferentes da Globo? Onde arranjaram números tão absurdos?” Sempre que possível, eu mesmo ia ao telefone e dizia não saber como e o que a TV Globo colocava no ar. Garantia, no entanto, que a Rádio JB, como de hábito, apurava bem as suas informações e, por isto, suas notícias eram exatas e dadas com muita seriedade. “Nossos números são exatamente aqueles dos mapas liberados pelos juízes eleitorais, em cada Junta Apuradora.” E, desde então, sempre que me perguntavam, respondia que nunca deixei de acreditar no trabalho dos profissionais da TV Globo. Não queria fazer prejulgamento, mas hoje um livro recém-lançado — Jornal Nacional — A Noticia Faz Historia — facilita a compreensão dos fatos.

Por isto, agora, 22 anos depois, posso garantir que, pelo menos no que se refere às eleições de 1982 e ao Caso Proconsult, este livro sobre os 35 anos do Jornal Nacional é uma obra de ficção política. Tenta, inutilmente, retocar uma imagem que nunca mais poderá ser mudada: a TV Globo fez mesmo o jogo e foi sempre a parceira preferida da ditadura, até porque isto era conveniente e interessante a ambas.

Fui para a Rádio Jornal do Brasil por minha experiência em coberturas eleitorais para organizar e planejar um trabalho delicado. Afinal, estávamos ainda em pleno regime autoritário e aquela seria, pelo voto direto, a primeira eleição para governadores de Estado. Naquelas históricas semanas e sem ter a mínima intenção, a minha voz ficou tão conhecida no Rio de Janeiro que, mesmo meses depois das eleições, as pessoas me reconheciam por ela, até no simples ato de pedir uma camisa em uma loja de roupas.

E não era para menos. Lia boletins sobre a marcha das eleições, a cada hora, durante dias e dias seguidos, falando pelo poderoso microfone da austera e respeitada Rádio Jornal do Brasil. Foi por acaso. Eu, Randolfo de Souza, Ricardo Bueno e outros companheiros somávamos e ponderávamos os votos passados por uma equipe de repórteres. Procópio Mineiro checava tudo e acompanhava atentamente a cobertura. Eram tantos os cálculos, projeções e análises eleitorais que, em determinado momento, não dava mais tempo para redigir os textos e lá fui eu dar os resultados, em lugar dos locutores. De certa maneira, isto foi um despropósito, tal a qualidade e a beleza das vozes que a Rádio JB dispunha. Mas, da ditadura do relógio, nem a JB poderia escapar.

A vivência dos fatos sobre as eleições de 1982 permite-me fazer críticas severas ao que está no livro Jornal Nacional — A Notícia Faz História. Eis a versão deste repórter sobre alguns pontos importantes ali assinalados:

1 — Afirma-se que a Rádio JB, por ser rádio, trabalhava mais depressa que a televisão, até porque a exuberante TV Globo fez economia e passou a usar os dados do jornal. Grande novidade, por certo, quanto à rapidez na informação. Rádio é o veículo mais instantâneo, abrangente e merecedor de crédito, na mídia, mesmo agora com a veloz (e nem sempre confiável) internet.

É falsa, no entanto, a afirmação de que a Rádio JB recolhia somente dados das eleições majoritárias (governador e senador). Tínhamos todos os números mas, quanto aos votos para deputados (federais e estaduais), a JB divulgava inicialmente apenas os votos de bancada, para depois anunciar a posição individual dos candidatos.

Sem o total de votos de bancada, não se pode calcular efetivamente quem será eleito por partido. Não sabiam disto?

2 — No livro, acusa-se a Rádio JB de tentar subornar a Proconsult para conseguir resultados por antecipação. Aqui, dois reparos inquestionáveis. Primeiro, mais uma vez a TV Globo assume a posição de porta-voz dos arapongas (nunca perdeu o vício, pois continua divulgando conversas telefônicas misteriosas e ouvindo fontes mais do que suspeitas que, por exemplo, divulgam depoimentos de ex-mulheres de políticos. Alguém já ouviu mulher ou marido falando bem do ex-companheiro?). O fato sobre a Proconsult: esta foi uma armação da Polícia Federal, certamente por ordem dos órgãos de segurança. Abriu inquérito policial e, durante o depoimento que fui obrigado a prestar, houve a sórdida tentativa do delegado da PF de incriminar-me, o que foi prontamente repelido. Acho que o delegado ficou tão atordoado ao ver a minha carteira da OAB/RJ que interrompeu o interrogatório e nunca mais me chamou.

E, segundo reparo a fazer: eu e o Procópio Mineiro tivemos, sim, contato com o Sr. Arcádio Vieira, mas para dizer a ele, como representante da Proconsult, que uma fonte nos havia informado que a Proconsult teria feito acordo com a TV Globo (e todo o Sistema Globo) para passar em primeira mão os números da apuração eleitoral. A propósito, a quantia a que o livro se refere é, talvez não por coincidência, a mesma a que o delegado federal se referia, ao tentar acusar-me levianamente, e exatamente a mesma, também, que a nossa fonte apontou como o possível acerto entre a TV Globo e a Proconsult. Tanta coincidência é intrigante. Principalmente a TV Globo, agora, usar versão e quantia que ouvi da boca do delegado submisso aos órgãos de segurança e informação.

3 — A questão principal não é apontar a Proconsult e o foco, em conseqüência, não deveria ser no Arcádio, até porque não era ele o dono da empresa (havia gente mais poderosa por trás). Além disto, de propósito, fez-se toda esta encenação para não deixar exposto o principal articulador da tentativa de estelionato eleitoral: o Serviço Nacional de Informações (SNI). Agora, 22 anos depois, é inevitável citar o SNI, até em função do brilhante trabalho do Elio Gaspari, tão divulgado pelo próprio Sistema Globo. Está lá, nos livros do Elio, uma condenação final do Golbery ao SNI, criticado pelo general por se meter naquilo que não conhecia (como fraudar resultados eleitorais) e de uma forma tão desastrada. Há frases textuais a respeito, tiradas do próprio arquivo de Golbery.

4 — Infelizmente, não foi apenas a TV Globo que buscou uma nova versão para o Caso Proconsult e as interferências do SNI nas eleições que abririam o caminho para a volta da democracia. A Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro criou na época uma CPI sobre o assunto. Na presidência da Casa, um conhecido parlamentar do PT. Como alvo e na berlinda, o Sr. Moreira Franco, que seria o principal beneficiário da tentativa de fraude. Nenhum partido levou o assunto adiante. Todos, inclusive o PDT, jogaram uma pá de cal, arquivando-se tal indesejável apuração.

Desta CPI consta, no entanto, um longo depoimento meu em que, há mais de duas décadas, denunciava o que recentemente o Elio Gaspari mostrou em sua criteriosa obra e a TV Globo não conseguiu mais esconder. E mais: o SNI agia de olho nas eleições presidenciais que viriam, em quatro anos. Mas que os órgãos de segurança conseguiram manchar, ajudando o regime autoritário a realizar uma escolha indireta. E, mais tarde, na sucessão presidencial, novamente a TV Globo exerceu triste papel, ao manipular o noticiário sobre o debate eleitoral televisivo.

Só uma última questão: livro de 400 páginas, da melhor qualidade gráfica, a apenas 28 reais? (Transcrito do site www.observatoriodaimprensa.com.br)

PERY COTTA é o repórter que denunciou o Caso Parasar (em 68) e o Caso Proconsult (82).


 

A história do Gurgel — Um engenheiro de Palmas (TO) pergunta se conheço algum livro sobre o empresário João Amaral Gurgel, fundador da Gurgel Motores. Não li, e reluto em colocá-lo em minha lista, Gurgel — Um Sonho Forjado em Fibra (Editora Labortexto, 39 reais), de Lélis Caldeira. O jornalista Lélis Caldeira conta a história do empresário que vendeu mais de 40 mil automóveis da marca Gurgel, com, segundo sinopse da Livraria Cultura, “tecnologia 100 por cento brasileira”. João Amaral Gurgel é, guardadas as proporções, o Barão de Mauá do século 20.


 
As traduções de O Leopardo
 

Leitores querem saber qual é a melhor tradução do romance O Leopardo (de 1958), de Tomasi de Lampedusa (1896-1957). Tenho três traduções, uma delas, feita por Rui Cabeçadas para a Difel, é de 1963. É fluente e tem poucos erros. A segunda tradução, da Nova Cultural, pode não ser plágio da versão de Cabeçadas, mas é muito parecida, senão idêntica (uma versão corrigida? Pode ser, porém o tradutor é outro).

A tradução mais elogiada por quem sabe italiano (como Elio Gaspari, que nasceu na Itália), a da escritora Marina Colasanti, ganhou o título de O Gattopardo (o mesmo do original). É tão (ou mais) fluente (talvez seja melhor dizer moderna) quanto a de Cabeçadas, entretanto, devidamente anotada, o que não ocorre nas outras, com prefácio de Colasanti e introdução do filho adotivo de Lampedusa. Gioacchino Lanza Tomasi serviu de modelo para o príncipe Tancredi.

Mais recente, a versão de Colasanti é mais agradável, atualiza a linguagem, sem deixar escapar o tom clássico e, às vezes, áspero do texto, e certamente tira proveito tanto das traduções anteriores quanto dos estudos sobre o trabalho de Lampedusa, o que prova seu prefácio. Há problemas, que talvez sejam provocados pelo fato de que, tendo o país duas traduções anteriores, Marina optou por mostrar-se, no geral, inteiramente diferente. Ela traduz “desceu a breve escada” e Cabeçadas prefere o mais coloquial “desceu a pequena escada”. Cabeçadas é mais preciso. Desconheço alguém de bom senso que diz ou escreve que uma escada pequena é “breve”. Pequena falha, se é uma falha, que não empalidece o belo trabalho de Colasanti. Noutro trecho, Cabeçadas traduz “velho libertino” e Colasanti “moderniza” para “dinossauro libertino”.

Na tradução do texto clássico do romance, citado por nove entre dez leitores do príncipe Lampedusa, deixo o julgamento por conta do leitor. A versão de Colasanti: “Se nós não estivermos presentes, eles aprontam a república. Se queremos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude. Fui claro?” (Tancredi diz isso para o tio, ou “tiozão”, Fabrizio Salina, na página 57). A tradução de Cabeçadas: “Se nós não estivermos lá, eles fazem uma república. Se queremos que tudo fique como está é preciso que tudo mude. Expliquei-me bem?” (página 32). “Nós” são os integrantes da aristocracia, que entra em decadência sem perder a elegância, ou melhor, de certo modo perde parte da elegância ao unir-se, pelo casamento, para sobreviver, aos burgueses, novos-ricos, mas não chiques, como Angelica e seu pai, o esperto e grosso don Calogero. A base histórica do romance, que tem como personagens centrais os príncipes Tancredi Falconeri e Fabrizio Salina, é a guerra pela unificação da Itália, a partir de 1860/61. Fabrizio, o leopardo, prepara Tancredi para ser a ponte entre a aristocracia, “nós”, e os burgueses, “eles”. Enquanto ele próprio, embora tenha percepção precisa das mudanças e de que poderia sobreviver, adaptando-se aos novos tempos, prefere guardar as diferenças, não se integrando. Prefere desaparecer porque sabe que Tancredi é ele, integrado, moderno, ao se casar com a bela e rica Angelica. A velha classe só poderia sobreviver “seduzida” pelo dinheiro da nova classe, “antropofagia” que Fabrizio não poderia suportar, embora entendesse o processo como inevitável.

No geral, comparadas as traduções, o que não fiz com rigor, é possível perceber que a de Colasanti é, mesmo, a melhor, mas, em comparação com a de Cabeçadas, a pioneira, que também é muito boa, é superestimada. Mais justo é admitir que a versão de Cabeçadas, com 41 anos, envelheceu, sim, mas como o leopardo Fabrizio Salina, isto é, com certo charme. A versão de Colasanti é, de certo modo, Tancredi.

O filme O Leopardo (que agora nos chega com três horas de duração, em DVD, pela Versátil), do conde italiano Luchino Visconti, é uma adaptação, não tenho receio de dizer, perfeita do romance de Lampedusa (e eu abomino cinema, “arte” para preguiçosos). Visconti extraiu a essência do livro, mas, o que é raro, sem fazer um filme enfadonho, embora narre o fastígio dos nobres. Burt Lancaster está muitíssimo bem como Fabrizio. A crítica Pauline Kael assegura que Alain Delon não está bem como Tancredi, por que, garante, é frívolo demais. Kael talvez não tenha lido o livro: o personagem Tancredi é exatamente sério e, ao mesmo tempo, frívolo, como o novo tempo que surge, daí adaptar-se melhor do que don Fabrizio.

O escritor Flávio Paranhos diz que jogaria fora algumas páginas do romance. Colasanti revela que o livro, não tivesse falecido Lampedusa, aos 60 anos, de um brutal câncer de pulmão, em 1957, poderia ser ainda maior. O filho do escritor encontrou sinais de que, como O Processo, de Kafka, O Gattopardo ficou incompleto. “É um capítulo incompleto que seria constituído por 17 sonetos, dos quais só dois chegaram a ser escritos, além de uma ode e uma introdução. Nele, em forma de poesia, o príncipe Fabrizio revelava sua paixão por Angelica, sentimento que, se tivesse sido levado adiante na estrutura ficcional, teria modificado grandemente o romance, alterando o equilíbrio das relações.”


 
O absurdo da Novo Mundo
 

No último mês, como em todos os outros anos, a Novo Mundo veiculou uma campanha que teve como tema Papai Noel de Agosto. A campanha, que rende algum dinheiro extra à loja, já é conhecida dos consumidores. Ainda assim, não me conformo com o tema. Por que Papai Noel de agosto e não de setembro? Por que Papai Noel?

Mas o que chamou a atenção nesta edição da promoção foi o último VT da campanha. A garota-propaganda da rede dizia para não ficarmos tristes: o Papai Noel de agosto estava acabando, mas um punhado de ofertas estava nos esperando nas lojas. Enquanto isso, um Papai Noel bem fajuto, desses que a gente vê nos centros comerciais às dúzias no fim de ano, arrumava as malas em frente a um cenário super bem-feito — colunas gregas de isopor e arcos coloridos das Olimpíadas feitos de cartolina.

Vi o tal VT, revi, pensei e juro que não consegui entender a ligação entre a tal promoção e as Olimpíadas. Esse estilo nonsense de fazer propaganda não é novidade em Goiás. É só se aproximar uma data comemorativa ou acontecimento importante que os criativos goianos tiram do forno fórmulas e mais fórmulas de comerciais com frases sem sentido que tentam fazer algum tipo de ligação do tema com o anunciante. Caindo quase sempre no ridículo.

TAINÁ CORRÊA, publicitária, escreve para a Revista Bula (www.revistabula.com).


 
O relatório do Major Curió sobre a Guerrilha do Araguaia
 

Sebastião Rodrigues de Moura, mais conhecido como Major Curió, contou ao New York Times (ao jornalista que revelou a suposta bebedeira do presidente Luiz Inácio Lula da Silva) que, nas suas memórias, vai relatar sua participação no combate à Guerrilha do Araguaia.

Em março de 2004, Curió, estranhamente loquaz, “revelou” (que talvez seja uma palavra muito forte) ao Estadão: “Não sou responsável por mortos. Não sou coveiro. A minha missão era infantaria e operações especiais. Os meus mortos eu sei onde estão sepultados. Foram 16 homens” (porque disse apenas “homens”, os repórteres do jornal, Leonencio Nossa e Dida Sampaio, não perguntaram). O militar relatou que, numa reunião do presidente Emílio Garrastazu Medici com o alto comando do Exército, decidiu-se que era “preciso” matar Dinalva Oliveira Teixeira, a Dina, e Osvaldo Orlando Costa, o Osvaldão. “Ela [Dina] morreu no dia 24 de julho de 1974.” Dina aparentemente estava grávida.

Militares que participaram do combate à Guerrilha do Araguaia asseguram que Curió guarda, desde meados da década de 70, um azeitado relatório sobre a “guerra suja”, com nomes de todos os guerrilheiros vivos ou mortos em combate e também dos militares. Curió, segundo militares, se orgulha de ter participado da chamada “guerra suja” e, nas conversas reservadas, ironiza a atuação de comandantes que, embora não tenham atuado diretamente, levaram a fama por ter destruído o movimento liderado pelo Partido Comunista do Brasil (PC do B).

Segundo seus aliados, ou ex-aliados, Curió se considera a principal “vítima” da Guerrilha do Araguaia. Os chefes foram preservados, mas seu nome é sempre citado como o carrasco dos guerrilheiros. No máximo, aparece o nome do sargento Santa Cruz (que fez curso no Panamá) como co-autor de várias mortes. Em depoimento no Congresso Nacional, Santa Cruz confirma a participação na guerrilha, mas não esclarece sua posição nos massacres.


 
Cleto Falcão diz que Ermírio de Moraes deu dinheiro a PC Farias
 

O ex-deputado federal Cleto Falcão, homem forte da corte de Fernando Collor, lançou na semana passada as memórias Dez Anos de Silêncio (LGE Editora, 350 páginas, 45 reais, com texto do jornalista Fernando Barros. O livro já pode ser pedido no site da Livraria Cultura — www.livrariacultura.com.br). Segundo trechos revelados pela IstoÉ, o empresário Antônio Ermírio de Moraes, dono do grupo Votorantim, entregou 3 milhões de dólares a Paulo César Farias, na casa do empresário Olacyr de Moraes (quebrado, segundo IstoÉ Dinheiro), para a campanha de Collor. Ermírio, garante a revista, sempre negou ter se encontrado com PC Farias.

Depois de tomar uísque, em sua mansão alagoana, PC Farias, tesoureiro da campanha de Collor, revelou quanto havia arrecadado para a campanha presidencial: “Uns 132 milhões de dólares. Devem sobrar uns 52 milhões de dólares”.

Clero revela que, apoiado pelo diplomata e intelectual José Guilherme Merquior, Fernando Collor planejou criar o Partido da Social Liberdade (PSOL). A senadora Heloísa Helena “restaura”, pois, um projeto de um adversário político e ideológico.

Notícias do Planalto, de Mario Sergio Conti, relatou o conluio da imprensa (e não só), sobretudo das redações (não apenas os patrões), com Fernando Collor. Mesmo não tendo estofo intelectual, Cleto Falcão põe lenha na fogueira e sugere que ainda há muito a contar sobre as relações de Collor com empresários, políticos e jornalistas. O ex-deputado deve ser contestado por alguns dos “atacados”, como Ermírio de Moraes, mas é preciso levar em consideração que ele era um político do núcleo de poder collorido. Nem Cleto nem Ermírio de Moraes são puros. Os dois são realistas.


 

A cobra picou o lagarto — O titular da coluna Giro-Errata, Jarbas Rodrigues, errou mais uma: “Jovair não poupa o pepista: ‘Sandes não tem conteúdo’. E solta cobras e largatos contra Linda Monteiro (PPS): ‘Cuspiu no próprio prato’”. A palavra lagartos ganhou nova grafia, no estilo jarbíada. Depois, por conta própria, sem declarações, Jarbas poderia ter acrescentado: “E Misael Oliveira tem conteúdo?” E mais: “Ao apoiar Pedro Wilson, rompendo com a base que apóia o governo de Marconi Perillo, Jovair cuspiu no próprio caldeirão”.


 
Passaralho na TV Serra Dourada
 

O diretor-geral da TV Serra Dourada, Carlos Scorsi, acabou com o programa Estilo Total e demitiu toda a equipe. A empresa alegou, como de hábito, “contenção de despesas”. Do ponto de vista comercial, o programa era deficitário; não arrecadava sequer para pagar a equipe.

O passaralho atingiu até a bela apresentadora Liliana Cambruzzi, conhecida, nos bastidores, como a Namorada e a Protegida. Liliana mora em São Paulo, vinha de avião e, num dia ou dois, fazia o programa. Segundo um funcionário da emissora, Liliana recebia 15 mil reais por mês.

Entre os demitidos estão a produtora Britz Lopes, cinegrafista e motorista. Uma repórter (Juliana) manteve o emprego. O programa já saiu do ar.


 
Uma mão suja a outra
 

Um jornalista envia o seguinte correio eletrônico: “Li uma carta (publicada em O Popular) elogiosa a João Unes e Ciça Carvello e decidi verificar quem era o autor. Depois, vasculhei colunas velhas e novas de la Ciça. Curiosamente, o autor da missiva é citado com freqüência na coluna Spot”.

Quer dizer, o leitor é habitué da coluna de Ciça Carvello. Pegou mal, coleguinhas.


 
No caminho de Schwam
 

José Guilherme Schwam (e não Schwann, como fui corrigido por nossa revisão), do programa televisual Pelos Bares da Vida, comentou com uma jornalista nota publicada nesta coluna. Schwam disse que não aprova as práticas comerciais do jornalista Arthur Rezende, do programa Aplauso.

Segundo Schwam, enquanto seu programa sobrevive tão-somente da venda de anúncios, o de Arthur vende espaço no próprio programa, o que ele não considera ético.

Na verdade, o principal motivo da guerrilha verbal não é ética; Arthur e Schwam disputam o mesmo nicho do mercado. São competidores. Um jornalista veterano conhece bem os dois e, por isso, garante: “Amanhã, depois da refrega, estarão abraçados... e no Skal. Os colunistas sociais andam e se divertem juntos, mas estão sempre brigados e falando mal um do outro”.Oh, raça!, como diria o José Simão.


 
Descortesia editorial
 

Sinésio Dioliveira, craque em português, escreveu reportagem para o jornal O Sucesso (título pior só o de Jornal da Segunda, felizmente modificado) mostrando a coincidência entre charges de Almir, do Diário da Manhã, e Angeli, da Folha de S. Paulo. Com a ressalva de que Almir saiu na frente ao discutir o assassinato de mendigos em São Paulo. Não se trata de plágio, como apontou Sinésio, mas de coincidência mesmo.

O texto de Sinésio saiu na edição de 29 de agosto a 4 de setembro. Na quinta-feira, 9, o Diário da Manhã também registrou o fato, mas sem notar a precedência de Sinésio. Não se trata de plágio, porque as reportagens são diferentes, mas de falta de cortesia com o colega. É provável que o editor não tenha avisado Adalto Alves, um profissional correto e tão competente quanto Sinésio, sobre o texto do outro jornal.


 
Último mundo
 

Em Goiás, com uma população de mais de 5 milhões de pessoas, nenhum jornal diário vende 30 mil exemplares por dia.

No Brasil, a Folha de S. Paulo vendia 924.387 jornais por dia (aos domingos) em 1996, 596.519 em 1999 e 379.600 em 2004. O Jornal do Brasil vende apenas 106.679 exemplares. A população cresceu, ganhou mais dinheiro, mas está lendo menos jornais. Os dados são do IVC e estão no site do Comunique-se.

Nos Estados Unidos, o The New York Times caiu de 1.687.959 — em 1999 — para 1.677.003 em 2004. Ou seja, a queda é mínima.


 
Linguagem médica
 

O médico Joffre Marcondes Rezende lança a 3ª edição, revista e ampliada, do livro Linguagem Médica.

Muito bem-escrito, o texto é de escritor, o livro, mesmo não sendo pretensioso, nasceu clássico.


 
Mike Tyson ataca Popó
 

Antônio Almeida, o Antônio da Kelps, brigou feio com um deputado federal tucano. Faltaram palavras civilizadas e sobraram murros.


 
A conciliação das diferenças
 

O secretário da Segurança Pública, Jônathas Silva, não tem razão quando diz que “Frederico Jayme prega a volta aos tempos fascistas, de total desrespeito à lei e à Justiça” Diário da Manhã. As palavras precisam mesmo ser recuperadas, e Jônathas sabe disso, pois fascismo não tem a ver apenas com medidas duras de combate à criminalidade, mas com a exclusão das divergências políticas, o que Frederico não propõe, porque não é adepto de políticas totalitárias. Mas aprovo a coragem e o bom senso de Jônathas ao expor sua posição de que “não se pode retroceder à barbárie”. Ele tem razão, pois, quando todo o poder é concedido à polícia, os primeiros a sofrer nem sempre são os bandidos, mas os cidadãos de bem.

O que fazer? Ficar inerte? De maneira alguma. O meio-termo está na tentativa de equilibrar a posição moderada de Jônathas Silva, que precisa avançar mais, e a posição supostamente radical de Frederico. Depois do conflito, vital para a democracia, é preciso buscar o consenso, que nada tem a ver com acomodação.


 
A OJC liberou geral
 

A Organização Jaime Câmara perdeu (ou quis perder, porque paga salários muito baixos) o controle de seus jornalistas. Segundo levantamento de um repórter do Diário da Manhã, que me passou a relação, com dados precisos, pelo menos 70 por cento dos profissionais do grupo fazem assessoria para empresas, governo do Estado, Prefeitura de Goiânia e vereadores e deputados.

Fábio Castro, apresentador-repórter de um telejornal da televisão, tem até página na Internet informando que faz assessoria de imprensa. Ciça Carvello, editora da coluna Spot, é promotora de eventos. O jornalista do DM me pergunta: “Se a Ciça não usar a coluna para divulgar os eventos para os quais foi contratada há algum desvio ético?” Eu poderia adotar uma posição moralista e dizer que sim. O mais justo é a empresa pagar melhor para ter o direito de exigir que seu profissional seja exclusivo. A OJC (aliás, quase todos os veículos de comunicação de Goiás repetem a prática) permite que seu jornalista faça assessoria para complementar o salário. Muitas vezes, o salário recebido fora da empresa é maior, mas, sem atuar no grupo, o repórter (ou editor) perde prestígio. Portanto, atacar o jornalista-assessor é “perdoar” a empresa que paga mal.


 
Jávier Godinho
 

O ombudsman assistente, Arthur de Lucca, protesta: “Você está pegando demais no pé do jornalista Jávier Godinho”. E pergunta: “Você sabia que as livrarias espíritas são muito bem-sucedidas?”

Jávier riu da nota na qual aparentemente peguei no seu pé, porque entendeu que, na verdade, era uma brincadeira. Eu disse que, se alguém publicar meus textos no formato de livro, depois de minha morte (espero viver pelo menos 150 anos), mando Jávier escrever uma carta espírita.


 
Confusão mental
 

O jornalista Afonso Lopes merece o troféu “Confusão Mental”, pois, ao contrário a todas as pessoas de bom senso, disse que a nova página do Diário da Manhã na Internet é “excelente”. É melhor do que a anterior, sem dúvida, mas fica a dever à do Pop e, sobretudo, às páginas do Estadão e da Folha de S. Paulo.

João Bosco Bittencourt, editor competente, deve aos leitores do DM uma página mais precisa. Não se pode deixar a página de um jornal na Internet por conta de quem não lê (e nem gosta de) jornal. Os jornalistas devem ser convidados a interferir.


 
Cartório
 

Os jornais não acertam o nome do empresário Vanderlan Vieira Cardoso, candidato a prefeito de Senador Canedo pelo PL. Por isso, Celso Filho, ombudsman assistente, crítico permanente desta coluna, pergunta: “Afinal, o apelido do empresário-político é Vanderlan da Micos ou Vanderlan da Mico’s?”

Perguntei ao próprio Vanderlan, dono da Cicopal, indústria e comércio de produtos alimentícios e higiene pessoal, e ele esclareceu: “O certo é Vanderlan da Mico’s. Mas não adianta mais: até meus cabos eleitorais escrevem Vanderlan da Micos, sem o apóstrofo”.


 
Livro excessivo
 

Terminei de ler o livro de Geraldo Coelho Vaz sobre o senador Canedo. É uma pesquisa exaustiva, mas avalio que caberia na metade do número de páginas.

A obra parece um relatório — só que sem o vigor literário do famoso relatório de Graciliano Ramos. Duvido que, ao contrário do que escreveu o Diário da Manhã, esteja entre as obras mais vendidas de qualquer livraria. Se estiver, não entendo mais nada de livros e, a partir da próxima semana, vou requerer a minha aposentadoria.


 
A volta do Promídia
 

Um deputado federal revelou ao Jornal Opção: “Depois das eleições, as Organizações Globo vão receber substancial apoio do governo Lula para reorganizar suas dívidas”.

Outros veículos, como a Veja, também vão receber as benesses. Então, é preciso apostar, com pesquisas perfeitas, que Lula está recuperando a popularidade. A redução da massa crítica da mídia é o instrumento ideal para reduzir as críticas ao governo do petista.



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