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Source:  http://www.jornalopcao.com.br/imprime.asp?secao=Imprensa&idjornal=108&idrep=

Goiânia, 09 de agosto de 2009
Dados da edição:
De: 21 a 27 de novembro de 2004
ANO: XXVIII
Edição Nº: 1533

IMPRENSA

Euler Belém
ffeubel@uol.com.br

Pioneira do jornalismo — O jornalista Roberto Rossi Jung lança A Gaúcha Maria Josefa — Primeira Jornalista Brasileira (Martins Livreiro Editor, 123 páginas, 18 reais). O Comunique-se (www.comunique-se.com.br) publicou um breve comentário (escrito pelas jornalistas Fernanda Reche e Laura Schenkel, do site Bem Informado). A monarquista Maria Josefa Barreto Pereira Pinto “fundou e editou o jornal Bellona em 1833, em Porto Alegre”.

Antes da pesquisa de Jung, pensava-se que a primeira mulher jornalista do Brasil teria sido Violante Atalipa Ximenes Bivar.


 


GENETON MORAES NETO
 

Repórter entrevista espião que articulou o assassinato de Trotski

Dossiê Moscou (Geração Editorial, 234 páginas), de Geneton Moraes Neto, parece, à primeira vista, apenas mais um livro de reportagens. Não é. Trata-se, isto sim, de um excelente livro de história, de um pesquisador que é repórter, vazado num tom delicioso, nada acadêmico, mas fadado a contribuir com as pesquisas sobre a extinta União Soviética. Neste texto detenho-me não no núcleo do livro, mas numa história, digamos, periférica: Geneton entrevistou o espião que articulou o assassinato de Trotski — o “stalinista renitente” Pavel Sudoplatov. A entrevista, por escrito, mesmo sem possibilidade de o jornalista retrucar e reposicionar uma questão, é muito boa.

O primeiro contato de Geneton foi com Anatoli Sudoplatov, filho de Pavel. “O filho do agente da KGB [prefiro do KGB] que armou o plano para matar o então dissidente Leon Trotski se irrita comigo porque insisto em perguntar se ele não ficava chocado ao saber do envolvimento do pai em assassinatos políticos. Não, não ficara. O filho do homem estranha meu espanto. Por que diabos ele ficaria chocado? Aquilo era uma guerra ideológica. Não havia lugar para sentimentalismos inocentes”, escreve Geneton.

Sabe-se que o articulador principal da morte de Trotski foi Beria (o mesmo que deixou Stálin morrer como um porco, mas caiu em desgraça logo depois), imediato do poderoso chefão Stálin. A fonte de Geneton não é apenas a entrevista, muito curta, de Pavel Sudoplatov; ele cita a biografia de Trotski (inédita em português) escrita pelo historiador Dmitri Volkogonov (autor da biografia Stálin — Triunfo e Tragédia, publicada pela Nova Fronteira). A informação relevante é que o dirigente do KGB “recebeu pessoalmente de Stálin a ordem para executar a Operação Trotski”. Isto mostra a importância de Pavel e que Stálin articulava os assassinatos em nível bem pessoal. Pavel foi levado a Stálin por Beria. “Se o fiel [Jaime Ramón] Mercader [del Rio Hernandez] foi a face visível de um dos mais famosos atentados políticos do século, Pavel Sudoplatov foi a mão invisível. O nome Sudoplatov ficou na sombra até a derrocada do regime comunista. Somente aí começou a ser citado em jornais de Moscou. O mistério começou a se desfazer quando o nome de Sudoplatov foi citado em dezenove páginas na biografia de Trotski escrita por Dmitri Volkogonov”, conta Geneton.

Assessor direto de Lavrenti Pavlovich Beria, o chefe da política secreta da União Soviética, “Pavel Sudoplatov caiu em desgraça depois que Nikita Kruschev anunciou, no Congresso do Partido Comunista em 1956, os crimes stalinistas. Iniciou-se, então, um sangrento expurgo. Beria foi fuzilado. Pavel Sudoplatov amargou quinze anos na prisão. (...) A condenação de Pavel Sudoplatov nada teve a ver com o assassinato de Trotski. A pena de quinze anos lhe foi imposta como castigo por ‘traição’ ao Partido” (Comunista). O espião foi “reabilitado” em 1991. A informação de Geneton é imprecisa: Beria foi fuzilado em 1953, portanto, antes da denúncia de Kruschev — o stalinista “arrependido”.

África no Brasil — Na conversa com Anatoli, Geneton fica sabendo os detalhes do assassinato de Trotski. O plano foi batizado de “Operação Pato” (utka, em russo). “Pato era uma espécie de gíria usada para se referir à desinformação”, esclarece Geneton. “Tomei conhecimento do assassinato de Trotski” — que era apresentado pela mídia soviética como um dos principais, senão o principal, inimigos do socialismo — “como um ato heróico, pelo qual meu pai foi condecorado, assim como Mercader. (...) O assassinato de Trotski foi parte do processo de estabelecimento do grande papel da URSS no mundo. É o lado trágico da história da criação de uma superpotência. O ponto central era garantir o domínio de Stálin sobre o movimento comunista internacional — algo importante para o fortalecimento da URSS”, explica-se Anatoli. “Ramón Mercader era um grande amigo de minha família. Sempre nos encontrávamos — e sempre o via como um super-herói.” Pavel dizia ao filho Anatoli: “Trotski se opunha à União Soviética. Pedia a dissolução do país, baseado em suas desavenças com Stálin. Então, Trotski era inimigo do Estado soviético”.

Geneton pergunta sobre as “palavras que Stálin usou para recomendar a morte de Trotski” e Pavel responde: “Stálin não usava palavras como ‘liquidação’ ou ‘assassinato’. Eu me lembro de que ele disse: ‘Confia-se ao senhor a realização da operação de guerra contra o trotsquismo no México’. Stálin falava devagar, tranqüilamente, sem qualquer emoção”. Lembrança mais marcante do encontro, segundo Pavel: “O que me impressionava em Stálin era a concentração que ele demonstrava em relação ao assunto que se discutia, assim como a liberdade de que ele dispunha para tomar qualquer decisão alternativa sobre a questão em pauta”. (Trata-se da liberdade que só os ditadores, verdadeiros deuses, têm.)

Geneton inquire Pavel sobre sua responsabilidade na operação que levou ao assassinato de Trotski. “Stálin confiou a mim, pessoalmente, toda a responsabilidade pela realização da Operação contra Trotski no México. Quando relatei a Stálin, em sua dacha, o fracasso da ação realizada em maio de 1940, ele ficou tranqüilo como sempre. Não expressou falta de confiança depois do fracasso de um atentado a bala contra Trotski, executada com a participação do fanático pintor mexicano David Siqueiros. Stálin não nos acusou, mas pedia para reforçar o conflito entre Diego Rivera e Trotski (Nota: suspeita-se que Trotski tenha tido um caso amoroso com Frida Kahlo, mulher do pintor mexicano e comunista Diego Rivera — que o hospedou no México). Neste caso, quem nos ajudou muito foi a secretária de Trotski, ‘África’ — que na verdade era nossa agente. Durante os anos cinqüenta, ela viveu na Argentina e no Brasil”, conta Pavel. A história de “África”, nome de guerra certamente, merece um registro à parte, que Geneton certamente nos dará, noutro livro ou numa reportagem (ele é editor-chefe do Fantástico).

Uma curiosidade: a entrevista de Pavel foi traduzida do russo por Zoia Prestes, filha de Prestes e irmã de Ermelinha Prestes, perfilada, na última edição do Jornal Opção, por Guillermo Rivera.


 
Crítica merece ir para a lata de lixo da história
 

A Ediouro lança o monumental Gulag (744 páginas, 84,90 reais), da jornalista americana Anne Applebaum, Prêmio Pulitzer. Não li. Li apenas a divulgação da Veja. A revista do Grupo Abril só faz resenha, pois desistiu da crítica, mas, para agradar a classe média, simula, ao resenhar, criticar o que comenta, sempre às pressas. A jornalista Marilia Pacheco Fiorillo, também escritora, diz que a obra de Applebaum foi tratada com reservas “internacionalmente” e apresenta sua explicação: “Talvez porque Gulag resulte numa curiosa combinação de poderoso levantamento de fatos com visão histórica rasteira. As aproximações que a autora faz entre o gulag e os campos de concentração nazistas tendem a esvaziar as diferenças entre esses dois traumas históricos. Stalinismo e nazismo não são gatos do mesmo saco, embora mereçam idêntica terapêutica: a lata de lixo da história”.

Primeiro, a visão histórica de Fiorillo talvez seja mais rasteira do que a de Applebaum. A resenhista de Veja talvez não saiba, porque certamente não estuda o assunto como especialista, mas os campos de concentração de Hitler foram inspirados nos campos soviéticos. Hitler enviou um emissário, Rudolf Hess, para conhecer como os comunistas procediam e copiou o modelo inaugurado por Stálin (ou Lênin). Mais: o trabalho escravo foi mais intenso nos campos soviéticos.

Há diferenças entre nazismo e stalinismo, é claro. Mas as semelhanças também são muito fortes, sobretudo quanto ao totalitarismo, e elas já estão apontadas em livros — e não apenas em Origens do Totalitarismo, de Hannah Arendt. Fiorillo não o diz, decerto por ser de esquerda, mas as ressalvas quanto ao trabalho de Applebaum têm a ver com sua dissecação implacável dos métodos do stalinismo, ou seja, do que se tornou o socialismo na União Soviética — um verdadeiro matadouro das vozes discordantes ou mesmo dos que desaprovavam os crimes de Stálin com o silêncio (não havia espaço para a crítica pública). Percebo que a esquerda, que ainda domina a crítica de livros e mesmo o noticiário político dos jornais e revistas, ainda alimenta-se dos sonhos da “grande pátria comunista”. Então, “atacar” Hitler, tudo bem, mas criticar (ou apenas historiar) o Gulag soviético é quase um crime, isto é, um exagero da direita. O que Fiorillo fez é o mesmo que Jorge Amado e Pablo Neruda fizeram durante muitos anos: desacreditar (em parte, pelo menos) uma crítica (no caso de Applebaum, histórica — e não há isenção histórica) ao socialismo.

Por fim, stalinismo e nazismo não merecem ir para a lata de lixo da história, que já está por demais cheia, pois precisam ser melhor compreendidos e analisados, sobretudo o primeiro, sobre o qual a força manipuladora da esquerda tenta impedir, com críticas declaradas ou sutis, como a de Fiorillo (que talvez seja ingênua mesmo), análises mais acuradas. Stálin é, sim, a face russa do fascismo de esquerda. Mais: é o Hitler soviético.

A crítica da Veja sequer cita o precursor Arquipélago Gulag, de Alexandre Soljenitsin (ou Alekandr Solzhenitsyn).


 
Oblomovismo editorial
 

Há editoras que não respeitam o leitor. A Germinal publica o romance Oblomov (551 páginas), de Ivan Alexandrovitch Gontcharov, mas não explica se a tradução de Juliana Borges foi feita a partir do original russo, ou, como de praxe (quando se trata de literatura russa), do francês.

Um professor, especialista em literatura, me diz que a tradução é muito parecida com a versão da Editora Cruzeiro, publicada há várias décadas. Como não tenho a edição da Cruzeiro, para comparar, não posso opinar. Aceito informações objetivas..

Ao contrário das edições da Editora 34 e da Cosac & Naify, que são muito bem anotadas, com prefácios e posfácios, e traduções diretas do russo, a edição da Germinal sequer explica direito quem é Gontcharov. Diz que nasceu em 1812, mas não fornece a data de sua morte. Não situa o romance no contexto da prosa russa e não esclarece sua influência na literatura da Rússia.


 

Andy Warhol — O Diário da Manhã ama ressuscitar os mortos (no sentido literal, às vezes, mas também no figurado). Depois de André Dhomini, que está mais quebrado do que arroz gaúcho embalado em Goiás (e não estou falando do gauchíssimo Arroz Cristal), só falta mais uma reportagem sobre Alex Missing Dias.

Por incrível que pareça, a entrevista de Dhomini, de um realismo ímpar, está muito boa. Motivo provável: as perguntas seguras e diretas do repórter Ivair Lima.


 
Pop demite Lessa sem consultar Lula
 

No sábado, 13, o Pop publicou na primeira página: “Carlos Lessa é demitido do BNDES”. Baseado em informação — errada — da Agência Estado, o Pop bancou a queda de Lessa, o protegido dos desenvolvimentistas, como a economista Maria da Conceição Tavares, conhecida como Madame Choro.

O presidente do BNDES foi demitido pelo presidente Lula na quinta-feira,18, e, com o economista no chão, o Pop voltou à cautela habitual: “Carlos Lessa sai do governo Lula”. Título muito fraco, pois, na verdade, Lessa não saiu por vontade própria— foi demitido. Seu substituto é o economista Guido Mantega. Lula optou pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

O Diário da Manhã não deu a notícia da queda de Lessa na primeira página.


 
Cartório
 

Cecília Aires, repórter do primeiro time e substituta de Jarbas Rodrigues (que viajou para a China — espera-se que não volte falando “javanês”) na coluna Giro, erra ao escrever o nome do vereador Clécio Alves.

O nome do mais irista dos petistas não é Clésio.


 
Passaralho na OJC
 

Em processo de terceirização de serviços, a diretoria da Organização Jaime Câmara demitiu os motoristas — restaram apenas dois. Na semana passada, vários jornalistas do Pop tiveram que esperar por um tempo mais longo para conseguir carro, que, ao chegar à OJC, estava lotado. “É o lotação do Pop”, brincou um editor.

Para economizar, sobretudo porque não terá gastos sociais, a OJC decidiu terceirizar também todos os serviços de portaria e secretárias


 
Hierarquia
 

Um jornalista da Organização Jaime Câmara (que se diz amigo de Alziro Zarur, um dos chefões da TV Anhanguera) afirma o seguinte: “Se desrespeitasse a chefia em qualquer outra redação, Paulo Garcez seria demitido. Afinal, quem define o horário de um profissional é a empresa”.

Com a palavra, Paulo Garcez. O que posso dizer é que ele é um dos melhores repórteres da televisão goiana.


 
O filho de Jaime Câmara
 

A mídia brasileira trata os poderosos como deuses, como no caso do ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, que, mesmo casado com a antropóloga Ruth Cardoso, teve um filho com a jornalista Míriam Dutra, da TV Globo. Tomás é adolescente e mora (ou morava) com a mãe na Espanha.

Agora, depois de muito chove-não-molha, a IstoÉ conta a história do técnico em informática Cláudio Pablo Pinheiro Câmara, de 25 Anos. “Há quase 20 anos ele tenta provar que é filho do empresário Jaime Câmara”, relata a revista. (IstoÉ deve ter se enganado, pois, como uma criança de 5 anos de idade, começa uma luta complexa para provar que é filho de alguém? A luta, claro, deve ter sido de sua mãe.) O patrimônio da Organização Jaime Câmara é avaliado, segundo o jornalista Felipe Gil, em 700 milhões de reais.

“Um exame de HLA realizado em 1985 indicou que o empresário, morto em 1989, não era pai do garoto. Parecer técnico de 2003 do médico goiano Anor de Oliveira Neto, no entanto, diz que o laudo pericial era incompleto e inconsistente”, diz a IstoÉ. “Temos fotos do meu pai em meus aniversários de criança. Foi ele quem nos incentivou a entrar com a ação para garantir o meu sustento e minha parte na herança”, diz Cláudio Câmara, cujos traços físicos são parecidos com os da família Câmara. O Jornal Opção manuseou cópia do processo e, de fato, há fotografias da mãe de Cláudio Câmara em que, aparentemente (há pequenos textos), Jaime Câmara sugere que havia um relacionamento amoroso entre eles.

Cláudio Câmara “espera que a exumação do corpo de Jaime Câmara seja autorizada pela Justiça de Brasília para a realização do exame de DNA”. É a única forma de saber se Cláudio Câmara está falando a verdade ou se quer apenas ganhar dinheiro fácil.

O advogado de Cláudio Câmara, Uarian Ferreira, conta que o Diário da Manhã fez uma reportagem sobre o caso, mas, não sabe por quê, não a publicou. O advogado explica que Jaime Câmara Júnior, até aqui considerado como filho único de Jaime Câmara, terá de repartir a herança com Cláudio Câmara. Júnior Câmara, como é mais conhecido o empresário, tem cerca de 60 por cento da OJC (o restante é dividido entre Tasso Câmara e familiares).

O que não se pode fazer, em nenhuma hipótese, é achincalhar a honra de Jaime Câmara, um empresário que colaborou para o desenvolvimento de Goiás, e de Júnior Câmara, que deu continuidade aos negócios do pai, ampliando-os consideravelmente.


 
Pop fura DM
 

O Pop furou o Diário da Manhã no sábado, 13, com a reportagem “Preso acusado de matar líder dos alternativos”. A reportagem do Pop conta que Wanderley Pereira Lima, presidente da Cooperativa de Transporte Coletivo (CTC), foi assassinado por Edmar Ângelo de Matos e acrescenta, sem citar nome, que policiais militares estão envolvidos no crime. A reportagem do Pop tem falhas, mas deu o furo, o que é essencial

Na quarta-feira, 17, o Pop fez novas revelações: Edmar Ângelo de Matos teria sido agenciado por Newton Silvano do Amaral, irmão de João Honório Silvano do Amaral, ex-dirigente da CTC, e pelos soldados da Polícia Militar César Teodoro (Theodoro, no DM) dos Santos e Wendel (Antônio, acrescenta o DM). João Honório era inimigo de Wanderley Lima.

O Diário da Manhã “descobriu” o crime na quinta-feira, 18, e, seis dias depois da reportagem do Pop, ilustrou uma entrevista do garçom-pistoleiro Edmar Ângelo com a palavra “exclusivo”. Como o criminoso nada disse de novo para o esclarecimento do crime, o termo “exclusivo” era desnecessário e não reconhecia o furo do concorrente.

A cobertura policial do Diário da Manhã já foi bem melhor, mas, com a transferência de Macloys Aquino para outra editoria, caiu muito. Sem repórteres experientes, como Orlando Carmo Arantes e Maria José Silva, do Pop, o DM perdeu o prumo na área policial.


 
DM fura o Pop
 

Na quinta-feira, 18, o Diário da Manhã publicou reportagem, com destaque na primeira página (deveria ter sido manchete, mas o editor foi cauteloso), sob o título de “TJ-GO tem R$ 65 milhões no Banco Santos”. O Pop não publicou nenhuma linha e, de início, acreditei que havia alguma orientação da direção do jornal, que, aliás, ficou sabendo da história pelo noticiário do concorrente. Não houve qualquer censura, segundo quatro jornalistas ouvidos pelo Jornal Opção. Na verdade, o Pop foi furado olimpicamente pelo trabalho solitário e competente de Hélmiton Prateado.

Na sexta-feira, 19, numa prova de que foi mesmo furado, o Pop deu a notícia na primeira página (“TJ confirma bloqueio de R$ 65 milhões”), mas num cantinho, quer dizer, não ousou divulgá-la como manchete da capa, pois sabia que o DM já havia publicado a história (a matéria do Pop, do competente Toninho Ribeiro do Santos, é mais ampla do que a do DM, pois ouviu o presidente da OAB e o Ministério Público. A promotora Marlene Nunes esclarece que compete ao Superior Tribunal de Justiça apurar fatos como o depósito de dinheiro público num banco privado). A palavra “confirma” trai o Pop: ou seja, o jornal da Serrinha prova, inconscientemente, que seu texto é continuidade de outro, não seu, mas do DM.

O Pop mantém pelo menos um jornalista pago pelo Poder Judiciário e uma repórter faz a cobertura jurídica diária, mas nenhum deles levou a notícia para o jornal. Há duas hipóteses: foram embora mais cedo ou então decidiram proteger o TJ por conta própria (e não há o que proteger, pois o presidente do Tribunal, Charife Oscar Abrão, está agindo com a maior transparência). Luiz Otávio Soares, funcionário do TJ e do Diário da Manhã, estava informado do problema.

A publicidade do Pop insiste que o jornal é “Digno de seus leitores”. E, de fato, o jornal é sério, mas, como ficou provado, mesmo tendo uma estrutura espantosa, é furado com facilidade por um jornal bem menor e sem estrutura. O Pop é um gigante que está profundamente acomodado. No dia que acordar — de vez em quando, ele mexe — será bom para a imprensa e a sociedade goianas.


 
Expansão do Diário da Manhã
 

Segundo um jornalista do Diário da Manhã, o empresário Batista Custódio estuda o lançamento de um diário no Tocantins e já teria o apoio do cacique Siqueira Campos.

Como comprou uma nova impressora (fabricada na Índia, mas de tecnologia alemã; ela chega em março), que imprime 30 mil jornais por hora, com todas as páginas coloridas, a impressora velha será enviada para o Tocantins (inicialmente, será levada para Aparecida de Goiânia).

Os executivos do DM também planejam investir em televisão.


 
Sindicato
 

Luiz Spada foi eleito para a presidência dos Sindicatos dos Jornalistas de Goiás.

A instituição tem sido chamada, sobretudo na redação do Diário da Manhã, de Sindicato dos Jornalistas da Organização Jaime Câmara.


 
 


 
Deusmar Barreto

A vitória de Iris Rezende fortaleceu a posição do editor-executivo do Diário da Manhã, Deusmar Barreto.

Barretinho é irista sem carteirinha.


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