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Source:  http://www.jaguari.rs.gov.br/?page_id=44

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GRITO DO NATIVISMO GAÚCHO DE JAGUARI – SÍNTESE HISTÓRICA

A origem do Grito do Nativismo Gaucho de Jaguari insere-se no próprio contexto histórico do movimento dos festivais nativistas do RS.
Atraídos pelo sucesso de outros eventos do gênero e tangidos pela forte mobilização cultural dos mesmos, alguns jaguarienses idealizaram um festival nativista, a exemplo de outros, para Jaguari.
Por que Jaguari não ter o seu próprio Festival?

Sempre atento as programações culturais, iniciando sua caminhada como compositor, Telmo Paulo Flores incentivador e apreciador do nativismo, começou a encontrar as respostas para essa pergunta que trazia consigo. Conforme ele, o ponto de partida foi reunir amigos influentes da sociedade jaguariense para discutirem a proposta de realizar um evento desta natureza. Daniel Lena Marchiori Silvio Bertoncheli, Felice Taschetto, Hermes Picoli, Nascir Alves de Siqueira e João Damasio Cattelan, entre outros, participaram das reuniões realizadas nas dependências da Radio Jaguari e, por acreditarem nesta idéia, fizeram fecundar esta semente.

O festival estava idealizado e o esforço desse grupo precisava ser ouvido mais longe como um grito que ecoasse na imensidão. Assim, a palavra “Grito” emprestou sentido às idéias dos organizadores originando o nome do festival que foi denominado Grito do Nativismo Gaucho de Jaguari. Graças ao apoio de toda a comunidade o festival deslanchou e esta ai hoje, em sua 14° edição, como um dos maiores do Estado.

Para por em pratica este projeto foi criada em 1986 a Associação Cultural e Tradicionalista de Jaguari, entidade responsável pela organização do evento. Neste sentido, o grupo contou com apoio e a experiência de personalidades do nativismo gaucho: Jaime Brum Carlos e Oristela Alves Schuck! Este intercâmbio foi fundamental para a realização de um bom festival, que logo se tornou grande, tanto em organização como em qualidade poético-musical.

Alem dessa estrutura e do esforço da comunidade, a grandeza do Grito é garantida pelo ecletismo que Ihe é peculiar. O festival sempre soube abrir espaços, tanto para a música campeira como para a música mais projetada.

No palco do Grito, convivem, democraticamente, todas as formas de manifestações da musica sul rio-grandense. O festival aceita trabalhos que se alinhem em qualquer das tendências que dominam o movimento nativista do RS levando em conta somente a qualidade dos mesmos. Sem romper com as nossas origens rurais, nos aproximamos da realidade de um estado urbanizado e contemporâneo, valorizando, ainda mais, a nossa cultura como um todo.
Em sua primeira edição, o Grito foi presidido por Daniel Lena Marchiori e realizou-se em janeiro de 1987, no Salão Paroquial de Jaguari. Nela consagrou-se como uma espécie de hino para os Jaguarienses a canção vencedora “Caminhos de Jaguari”.

Com a conclusão das obras do Ginásio Municipal de Esportes, hoje denominado “Daniel Lena Marchiori”, o evento, a partir da sua segunda edição, foi realizado no “Ginásio” ate a sua sétima edição. Com um local mais amplo para acolher o publico, o festival foi ganhando uma projeção em nível de Estado. Quem presidiu o Grito em seu segundo ano foi João Damasio Cattelan, contando com a coordenação geral de Telmo Paulo flores.

O 3°, 4° e 5° Grito do Nativismo teve como presidente Edison Bedin, enquanto o 6.° e 7.° ultimo a ser realizado no Ginasião foram presididos por Antonio Carlos Boeira e Marilene Nadalon Bertoncheli, respectivamente. Ano a ano o festival foi melhor se estruturando e crescendo em todos os aspectos, despertando assim um grande interesse entre os compositores, músicos e imprensa de todo o Estado. A visita dos organizadores a outros eventos possibilitou uma importante troca de experiências que permitiu a consolidação do Grito como um grande festival. Esta maturidade comprovou-se no 3° Eco dos Festivais de Tramandai quando a vencedora da 5° edição, a composição “Terra e Gente” de Mauro Moraes, foram apontadas pelos jurados como a melhor musica dos festivais nativistas do RS, no ano de 1991.

Presidido por Antônio Carlos Jordão, o 8.° Grito de Jaguari abriu um importante leque para as inovações. O festival passou a ser realizado no Clube de Caça e Pesca de Jaguari CAPEJAR, local aprazível para a época do evento. Deu-se continuidade a realização de espetáculos para “todos os gostos”, reafirmando uma perfeita integração entre musica e cultura. Os compositores locais ganharam um espaço para suas composições concorrerem juntamente com as demais classificadas. Uma enorme lona cobriu uma considerável área as margens do rio Jaguari, belo por sua natureza e atraente pela hospitalidade da gente jaguariense.

O sucesso alcançado garantiu para janeiro de 1995 a realização da 9° edição, presidida por Gentil Campara que, buscando referencias nas edições anteriores, ousou ainda mais, projetando um festival com características mais abrangentes. Atendendo o desejo do público mais jovem, o festival realizou um espetáculo especial com o grupo Nenhum de Nos de rock.
Em seu 10°, o Grito inova mais. Presidido novamente por Gentil Campara cria-se um espaço para a sua realização nas dependências do CAPEJAR, onde construiu-se uma pista aproximada de 500 metros quadrados que servira para a realização dos bailes no interior de uma área plana, que abrigara as duas lonas, aumentando a capacidade de público nas quatro noites em que se realizara o evento. A partir deste ano o Grito de Jaguari abriu espaços para a música instrumental.

Na 11° edição, o festival foi presidido por Orestes Bolzan Bertoncheli que, juntamente com a comissão organizadora, buscam aperfeiçoar a estrutura do Festival atendendo as mais diversas necessidades. Um dos itens mais positivos foi a contratação de uma equipe de segurança para atender a demanda do festival. As composições classificadas nesta edição foram gravadas em CD, bem como o registro da musica “Caminhos de Jaguari”, só instrumental, com arranjos do maestro Daniel Morales.

A 12° e 13° edição foi presidida por Eudo Callegaro Tambara, que preocupado com o crescente aumento de público e segurança em dias de chuvas, pretende realizar a construção de um galpão de eventos junto ao CAPEJAR. Foi eliminada, nesta edição, a participação de musica instrumental

Na 14° edição, novamente presidida por Eudo Tambara, o pavilhão foi ampliado, alcançando 3.500 m2 de área construída. Dessa forma o acesso e a comodidade do público melhoraram e JAGUARI passou a ter um importante espaço para os diferentes eventos promovidos no município.

Na 15° Edição, presidida por Joceli Antonio Salin, consolida-se parceria entre Associação Cultural e Tradicionalista de Jaguari e o Clube de Caça e Pesca de Jaguari, ocasionando assim a ampliação do espaço, tornando-se também a sede da Associação, alem de proporcionar um melhor atendimento aos participantes com alimentação em restaurante localizado no próprio Pavilhão de Eventos.

Na 16° Edição novamente presidida por Joceli Salin, o Pavilhão de Eventos continua recebendo melhorias vlsando a melhor acomodação do publico e dos participantes. O Grito consolida-se no cenário dos festivais.

O 17° Grito presidido por Eudo Tambara foi realizado em caráter excepcional. Devido ao episódio que ficou conhecida como o “caso do bugio”, que em função de um bugio encontrado morto nas margens do Rio, Jaguari foi considerada área de risco de contagio da febre amarela. Como a preleção já havia sido feita, o CD foi gravado e o Festival foi transferido para o mês de agosto de 2003 e realizado junto a FEICOAGRO. As músicas foram apresentadas e os jurados definiram a premiação.

JAGUARI E SEUS ASPÉCTOS HISTÓRICOS

O local onde atualmente esta o município de Jaguari teve como primeiros habitantes os índios Guaranis. Em 1632, quando o Padre Romero, superior das reduções do Uruguai, e mais os padres Manuel Bertot e Luiz Ernot, vieram reunir-se com Cristovão de Mendonza e Paulo Benevides, fundaram, na margem direita do Rio Jaguari, a redução de São Tome.

Há informações sobre a existência de outras reduções na região, entretanto, a mais prospera foi a de São Tome situada onde hoje se localiza a cidade. São Tome como as demais reduções não tiveram um período de duração muito longo. As mesmas passaram por vários transtornos coma ameaça de onças, pestes, fome e o perigo da invasão bandeirante. Estes fatores reduziram consideravelmente a população da aldeia de São Tome que chegou alcançar a 1800 almas.

Por volta de 1638, São Tome foi transferida para a margem direita do Rio Uruguai, quase em frente à cidade de São Borja. Após decorreram muito tempo ate que novos acontecimentos surgissem no antigo berço das Missões Jesuíticas.

Em 29/04/1871, é criada uma colônia agrícola para nacionais e estrangeiros na costa da Serra Geral que margeia o Rio Jaguari Grande, no distrito de São Vicente, então município de São Gabriel. No ano de 1877, começou o povoamento das 4.3 Colônias de Silveira Martins, enquanto a nossa que ficou aguardando para ser povoada.

Não havendo mais terras devolutas naquela região, alguns imigrantes desviaram de Silveira Martins para a região de “matas” entre São Vicente, Santiago do Boqueirão e Julio de Castilhos, chamada de Jaguari, devido ao rio que percorre Rio Jaguar. Nesse local, a Comissão de Medicação já havia demarcado 78 lotes de 25 hectares cada um, para o futuro núcleo de Jaguari e iniciado a construção do barracão que deveria abrigar não só o pessoal da Comissão como também os imigrantes recém chegados.

O Núcleo Colônia instalou-se em 1889 a margem direita do Rio Jaguari. A urbanização foi planejada e demarcada pelo Engenheiro° Jose Manuel de Siqueira Couto, acompanhado dos primeiros imigrantes italianos que obtiveram seus lotes. A estes se seguiram os húngaros, poloneses, russos, brasileiros, alemães e outros.

Os primeiros colonizadores foram organizando suas habitações e lavouras em meio à mata virgem, onde a flora e a fauna eram exuberantes e variadas. Nas muitas comunidades que iam se formando, erguia-se, no centro, a capela dedicada ao Santo de sua devoção. Ao lado, surgia o salão que, após as devoções, era ponto de reunião para conversa entre amigos e realizações de festas e jogos. A religião entre os imigrantes foi sempre fator de integração.

O distrito de Jaguari foi criado pelo Ato Municipal de 15/02/1893, no então município de São Vicente do Sul. Neste mesmo ano teve inicio a construção da Igreja Matriz, projetada por Pelegrini e decorada pelo pintor Angelo Lazzarini, sendo colocado em uma das torres um grande relógio, ainda hoje em perfeito funcionamento. A Igreja tem com padroeira Nossa Senhora da Conceição e teve sua obra concluída em 1907.

Por volta de 1894, a população de Jaguari aproximava-se dos oito mil habitantes, cerca de 270 famílias. Neste período teve inicio a instrução publica com dois professores: o Sr. Gregório Cony e a Sr. Guilhermina de Lemos Javorski. Ainda neste ano, foi instalada a iluminação a querosene por particulares, o que deu grande impulso ao núcleo que se orgulhava do seu desenvolvi mento.

Na sede do distrito havia 88 contribuintes do Imposto de Indústrias e Profissões e o comercio mantinha-se ativo com a capital e as demais cidades.
Em 1899, quando houve quando houve a encampação do serviço de iluminação publica, ocorreu, de forma festiva, a inauguração da ponte Julio de Castilhos sobre o Rio Jaguari. Assim como o sistema rodoviário, também o ferroviário foi uma constante preocupação do Administrador da Colônia, no que resultou na ampliação do ramal ferroviário de Dilermando de Aguiar ate Jaguari.

Município de Jaguari foi Capela Curada em 12.12.1889 passando a ser Paróquia em 08/12/1915. Em 1 6 de agosto de 1920, Jaguari elevou-se a categoria de município possuindo 4 distritos: 1°sede, 2°Santo Izidro, 3°Ijucapirama e 4.°Taquarichin. Seu primeiro Intendente provisório foi o Bel. Miguel Chimiclewisk.

Texto baseado na Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, vol.XXXIII, org. por Jurandir Pires Ferreira, Rio de Janeiro 1959.