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Source:  http://www.jornalopcao.com.br/index.asp?secao=Imprensa&subsecao=Colunas&idjornal=349
Goiânia, 09 de agosto de 2009
De: 28 de junho a 04 de julho de 2009

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  Imprensa

Euler de França Belém
ffeubel@uol.com.br

Jornal Opção denunciou plágio em primeira mão

O Jornal Opção denunciou dois plágios pioneiramente. Mostrou que a Editora Germinal copiou uma antiga tradução do romance russo “Oblomov”, mudando apenas o nome do tradutor, e que a Martin Claret pirateou uma edição portuguesa de “A República”, de Platão. Na semana passada, a “Folha de S. Paulo” citou o Jornal Opção num quadro (que não é transcrito nesta página).

Ministério Público investiga plágios

MARCOS STRECKER - DA FOLHA DE S. PAULO

Quem entra em grandes livrarias de todo o país e é atraído por títulos clássicos -em geral de obras antigas, sob domínio público-, nem imagina que pode estar comprando gato por lebre. Traduções plagiadas são vendidas sem cerimônia por editoras conhecidas nacionalmente, sob pseudônimos falsos ou atribuição errônea.

Um dos casos mais conhecidos no meio editorial agora virou caso de polícia. A pedido do Ministério Público Estadual, a polícia instaurou na última sexta-feira um inquérito contra a editora Martin Claret, por violação de direitos autorais.

A investigação está a cargo do 23º Distrito Policial, cujo titular é o delegado Luiz Antonio Ribeiro Longo -para quem ainda é prematuro fazer comentários. Os crimes sob investigação nesse caso -identificados nos artigos 184 e 186 do Código Penal- prevêem desde detenção de três meses até reclusão de quatro anos, e multa.

Seria uma pena inusitada para uma prática que infelizmente ainda é mais comum do que os leitores imaginam. A partir de denúncias publicadas nesta Folha, profissionais identificaram dezenas de novos casos suspeitos ou comprovados.

Muitas vezes a ação é feita pela utilização do trabalho intelectual de tradutores mortos, o que favorece a falta de acompanhamento -ainda que vários tradutores sejam famosos e tenham seus direitos morais e patrimoniais ainda sob guarda profissional, como o poeta gaúcho Mario Quintana. Ou então contam com a falta de vigilância oficial.

Machado traduzido — Quem fizer consultas no site da Biblioteca Nacional (www.bn.br), instituição que abriga a Agência Brasileira do ISBN, que tem a atribuição legal de registrar todos os livros publicados no país (e que designa um código para cada um deles, o ISBN), vai encontrar descalabros.

Uma verificação rápida entre as edições registradas pela própria Martin Claret é um bom roteiro inicial. Pelo site, descobre-se que Machado de Assis teve seu "Quincas Borba" vertido para o português por Pietro Nassetti, tradutor prolífico da editora. Machado traduzido para o português?

Os dados são fornecidos pelas próprias editoras para a Agência, que faria apenas o trabalho de registro passivo.

As traduções pirateadas acabam se propagando. Por terem a aparência legal, os livros plagiados acabam citados até em teses acadêmicas. O plágio é feito pela cópia pura e simples ou pela troca eventual de palavras ou frases.

Monteiro Lobato —Monteiro Lobato, um dos fundadores da indústria editorial brasileira, é uma vítima da prática. Uma versão de Lobato do famoso "O Lobo do Mar", de Jack London, da década de 30, reapareceu "maquiada" pela Martin Claret 60 anos depois, sem o nome do criador de Emília e Visconde de Sabugosa.

Não é o único caso envolvendo Lobato. O Ministério Público Federal em São Paulo também está fazendo diligências contra a mesma editora em procedimento aberto pela procuradora da República Rosane Cima Campiotto sobre essa e outra tradução plagiada ("O Livro de Jângal", de Rudyard Kipling), o que pode eventualmente resultar em uma ação civil pública. Para isso, um antropólogo está avaliando se esse caso tem interesse nacional ou se atenta contra o patrimônio cultural do país.

Casos como esse, ainda que claramente contemplados pela Lei do Direito Autoral (nº 9.610, de 1998), podem ser considerados apenas de interesse particular dos autores ou seus sucessores, e portanto apenas eles seriam parte legítima para tomar medidas legais.

As duas ações do Ministério Público se seguiram a denúncias encaminhadas por tradutores como Joana Canêdo e Denise Bottmann. Esta última mantém um blog (naogostodeplagio.blogspot.com) em que aponta de forma minuciosa casos de plágio envolvendo outras editoras.

Outro lado — A Martin Claret, famosa pelos livros de bolso que vende em todo o país, admite que diversas traduções tem atribuição errada. Designada para responder pela editora, a advogada Maria Luiza de Freitas Valle Egea diz que a Martin Claret está "refazendo o seu catálogo, contratando tradutores para as novas publicações, e pagando os titulares dos direitos de todas as obras em que os problemas estão sendo detectados".

Segunda ela, a Martin Claret já reeditou mais de 80 títulos e fez acordos com as editoras Ediouro, 34, Hedra e com os tradutores Boris Schnaiderman e João Angelo Oliva.

Isso não impede que livros publicamente denunciados continuem sendo comercializados em grandes livrarias. A Livraria Cultura, por exemplo, uma das maiores de São Paulo, continua vendendo "As Flores do Mal", de Baudelaire, edição da Martin Claret que a Folha noticiou em 2007 ser uma tradução plagiada.

De prático, além de forçar as reedições, as denúncias abortaram a venda da Martin Claret para a editora Objetiva, associada ao grupo espanhol Prisa-Santillana, que havia anunciado sua aquisição em 2008.

Alvaro Gomes, agente que cuida dos licenciamentos da obra de Monteiro Lobato, diz que a IBEP/Companhia Editora Nacional, que detém os direitos sobre as traduções, já está negociando com a Martin Claret uma forma de ressarcimento. Há outros títulos da Companhia Editora Nacional que também teriam sido plagiados. (Texto da “Folha de S. Paulo”, de 26 de junho de 2009)

Nova Cultural pagou indenização

A Nova Cultural, que suspendeu a venda de 22 títulos apontados como plágio, pagou uma indenização pela tradução plagiada de "O Vermelho e o Negro", de Stendhal. A tradução do crítico Luiz Costa Lima, publicada pela ed. Brughera em 1969, foi reeditada pela Nova Cultural, que atribuiu a tradução a Maria Cristina F. da Silva.

A editora foi notificada extra-judicialmente por Costa Lima. Além de pagar indenização, em outubro passado, publicou uma nota apontando o erro.

A editora está relançando seus títulos com a correta atribuição dos autores. É o caso de "A Divina Comédia", que havia sido publicada com tradução atribuída a Fábio M. Alberti. Tratava-se de uma tradução de Hernani Donato. Uma nova edição acaba de ser lançada.

Editora Landmark — A tradutora Denise Bottmann aponta a prática em outras editoras. Uma delas é a Landmark, que teria atribuído uma tradução portuguesa de "Persuasão", de Jane Austen (de Isabel Sequeira e editada pela Publicações Europa-América), a Fábio Cyrino. A edição de "O Morro dos Ventos Uivantes" também teria omitido a tradução brasileira de Vera Pedroso, publicada pela Editorial Bruguera em 1971.

Jorge Cyrino, editor da Landmark, nega os plágios com veemência e diz que possui os contratos efetuados com os tradutores, que comprovariam o trabalho de tradução. Também diz que vai processar Bottmann pela acusação. (Texto da “Folha de S. Paulo”)

Conheça a PEC que torna obrigatório o diploma de Jornalismo para o exercício da profissão

SÉRGIO MATSUURA - Do Comunique-se

A Proposta de Emenda Constitucional que o senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) irá apresentar na quarta-feira, 1º, altera o artigo 220 da Constituição, que trata da livre manifestação do pensamento e da informação jornalística. Caso o texto seja aprovado, será acrescentado o artigo 220-A, que trata da obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão.

“O exercício da profissão de jornalista é privativo do portador de diploma de curso superior de comunicação social, com habilitação em jornalismo, expedido por curso reconhecido pelo Ministério da Educação, nos termos da lei”, diz o texto.

A proposta, que já está sendo chamada de PEC dos jornalistas, abre duas exceções para a atividade jornalística sem a graduação na área. O colaborador, que, “sem relação de emprego, produz trabalho de natureza técnica, científica ou cultural”; e o jornalista provisionado, que já possui registro profissional regular.

Na justificação, Valadares afirma que a “principal atividade desenvolvida por um jornalista, no sentido estrito do termo, é a apuração criteriosa de fatos, que são então transmitidos à população segundo critérios éticos e técnicas específicas que prezam a imparcialidade e o direito à informação. Isso, sim, exige formação, exige estudo, exige profissionalismo”.

Em entrevista ao Comunique-se na última quarta-feira (26/06), Valadares informou que havia coletado 30 assinaturas para a apresentação da proposta, três a mais que o mínimo necessário. "Eu estou coletando as assinaturas pessoalmente", afirmou.

Ontem, a assessoria do senador informou que o número de assinaturas chega a 50, "mas ele quer obter um respaldo ainda maior e continuará coletando até o dia da apresentação". (Texto do site www.comunique-se.com.br)

PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº , DE 2009

Acrescenta o art. 220-A à Constituição Federal, para dispor sobre a exigência do diploma de curso superior de comunicação social, habilitação jornalismo, para o exercício da profissão de jornalista.

As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, nos termos do ' 3º do art. 60 da Constituição Federal, promulgam a seguinte Emenda ao texto constitucional:

Art. 1º A Constituição Federal, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 220-A:

Art. 220-A O exercício da profissão de jornalista é privativo do portador de diploma de curso superior de comunicação social, com habilitação em jornalismo, expedido por curso reconhecido pelo Ministério da Educação, nos termos da lei.

Parágrafo único. A exigência do diploma a que se refere o caput é facultativa:

I – ao colaborador, assim entendido aquele que, sem relação de emprego, produz trabalho de natureza técnica, científica ou cultural, relacionado com a sua especialização, para ser divulgado com o nome e qualificação do autor;

II – aos jornalistas provisionados que já tenham obtido registro profissional regular perante o Ministério do Trabalho e Emprego.

Art. 2º Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data de sua publicação.

Em dupla, como sempre

William Bonner lança em setembro Jornal Nacional – Modo de Fazer, contando a história, os bastidores e o dia a dia do telejornal. Adivinhe quem fará o prefácio do livro, que comemorará os quarenta anos do JN. Fátima Bernardes. (Da coluna “Radar”, da “Veja”)

Diploma cai, mas empresas ainda querem profissionais formados

CÍNTHIA ALMEIDA - Do Comunique-se

A recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que derrubou a exigência do diploma para o curso de jornalismo, dividiu a categoria e trouxe várias questões sobre a regulamentação da profissão. Jornalistas formados, não-formados, estudantes e professores querem saber, o que muda a partir de agora no mercado de trabalho?

Uma das principais portas de entrada na profissão é o programa de estágio. Três dos principais jornais do País usam deste meio para treinar futuros profissionais. Mesmo com a mudança na legislação, para alguns veículos de comunicação, ter curso superior ainda é um critério de seleção. Um exemplo é o jornal O Globo.

"Acreditamos no papel da escola" —

As organizações Globo respeitam a decisão do STF, mas acreditamos no papel da escola e na qualidade dos profissionais formados. Portanto, estar cursando ou ser formado em Comunicação Social continua sendo um dos critérios para a inscrição dos candidatos”, disse Luiza Correa, responsável pelo programa de estágio “Boa Chance” do jornal O Globo.

Por estar em andamento, o processo seletivo do Estadão não muda neste ano. Para o ano que vem ainda não se sabe se haverá alguma mudança.

“O processo seletivo para 2009 não terá mudanças porque já está na sua fase de encerramento das inscrições. Para 2010 não está nada decidido, pois a lei ainda é recente” informou Marisa Oliveira, responsável pelo “Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado” do jornal.

A Folha de S.Paulo não se preocupa com a decisão do STF. Mesmo antes dela, não exigia a graduação em Jornalismo.

“Nada mudou para o grupo Folha. O requisito principal para se inscrever no programa é o diploma. Qualquer pessoa que tenha curso superior concluído ou em curso, pode participar, basta que seja criativa, bem formada e julgue ter talento para jornalismo”, afirmou Ana Estela de Sousa Pinto, responsável pelo programa “Treinamento Folha” da Folha de S. Paulo. (Transcrito do site www.comunique-se.com.br)

Re­vis­ta UFG

A mai­o­ri­da­de de uma uni­ver­si­da­de não ocor­re so­men­te por con­ta dos for­ma­dos que al­can­çam su­ces­so no mer­ca­do. Su­as pu­bli­ca­ções são fi­lhos igual­men­te im­por­tan­tes. A “Re­vis­ta UFG” che­ga ao sex­to nú­me­ro, man­ten­do a qua­li­da­de. Ao che­gar à ma­tu­ri­da­de, fi­cou, gra­fi­ca­men­te, mais bo­ni­ta.

A re­vis­ta pu­bli­ca a úl­ti­ma en­tre­vis­ta do go­ver­na­dor Pe­dro Lu­do­vi­co, dan­do o cré­di­to ao Jor­nal Op­ção. O dos­siê “ci­da­des pla­ne­ja­das” é ins­ti­gan­te. Amaury Me­ne­zes ho­me­na­geia Gus­tav Rit­ter. Es­cre­vem ar­ti­gos Jo­ão Al­ber­to da Cos­ta, Ci­lei­de Al­ves, Di­a­ne Val­dez e Mi­ri­am Bi­an­ca.

O for­te da edi­ção é a en­tre­vis­ta que Gil­ber­to Men­don­ça Te­les con­ce­deu a Wol­ney Unes. Ci­ta Hu­go de Car­va­lho Ra­mos co­mo o pri­mei­ro do câ­no­ne go­i­a­no, se­gui­do de Ber­nar­do Élis, Jo­sé J. Vei­ga, Eli Bra­si­li­en­se e Car­mo Ber­nar­des (a quem cri­ti­ca com fir­me­za). O mai­or po­e­ta? An­tô­nio Fé­lix de Bu­lhões. Ou­tros po­e­tas canônicos: Ma­nu­el Lo­pes de Car­va­lho Ra­mos (pai de Hu­go), Leo Lynce, Jo­sé Go­doy Gar­cia, Afon­so Fé­lix de Sou­sa e Co­ra Co­ra­li­na. Mais nin­guém. “En­tre os jo­vens po­e­tas, não ve­jo gran­des no­mes. Ve­jo po­e­tas que pu­bli­cam doi­da­men­te, pen­san­do em en­trar pa­ra o ‘Guin­ness’ pe­lo nú­me­ro de li­vros pu­bli­ca­dos”.

A re­vis­ta é di­ri­gi­da por An­sel­mo Pes­soa e edi­ta­da por Wol­ney Unes. Nasr Cha­ul par­ti­ci­pou des­te nú­me­ro co­mo edi­tor-ad­jun­to.

A guer­ra dos po­de­ro­sos che­fi­nhos Pu­zo e Si­na­tra

Frank Si­na­tra é o can­tor Johnny Fon­ta­ne de “O Po­de­ro­so Che­fão”, de Ma­rio Pu­zo (li­vro) e de Fran­cis Cop­po­la (fil­me). Du­ran­te anos, a Má­fia pa­tro­ci­nou o ami­go Si­na­tra e, quan­do sua car­rei­ra ca­mi­nha­va pa­ra a de­ca­dên­cia, ma­fio­sos, co­mo Sam Gi­an­ca­na, le­van­ta­ram-na com ele­gân­cia e, não me­nos im­por­tan­te, vi­o­lên­cia. Ao es­cre­ver o “Che­fão”, Ma­rio Pu­zo não he­si­tou e apro­vei­tou a his­tó­ria de co­mo Si­na­tra con­se­guiu um pa­pel im­por­tan­te no fil­me “A Um Pas­so da Eter­ni­da­de” (1953), di­ri­gi­do por Fred Zin­ne­mann. A Má­fia “deu-lhe” o pa­pel do sim­pá­ti­co An­ge­lo Mag­gio, um sol­da­do re­bel­de. Si­na­tra fi­cou “p” da vi­da e pro­me­teu vin­gan­ça, a mai­or de­las ig­no­rar Pu­zo em en­con­tros so­ci­ais.

O li­vro “Con­fis­sões de Ma­rio Pu­zo e Re­ve­la­ções So­bre o Che­fão” (Ar­te­no­va, 271 pá­gi­nas), do pró­prio Pu­zo, ape­sar do tí­tu­lo es­tram­bó­ti­co, con­ta os de­sen­con­tros do es­cri­tor e do can­tor-ator. A do­na do Elai­ne’s de No­va York, El­ai­ne, ten­tou apre­sen­tar Pu­zo pa­ra Si­na­tra. Per­gun­tou se não ha­via pro­ble­ma, Pu­zo dis­se que não, mas Si­na­tra não quis con­ver­sa.

Noutra ocasião, ao par­ti­ci­par do ani­ver­sá­rio de um mi­li­o­ná­rio, no Cha­sen’s, em Los An­ge­les, per­gun­ta­ram a Pu­zo se que­ria ser apre­sen­ta­do a Si­na­tra. Es­cal­da­do, o es­cri­tor dis­se que não. Quan­do ia em­bo­ra, o an­fi­tri­ão e um “as­se­cla” pe­ga­ram Pu­zo pe­las mãos e o le­va­ram pa­ra co­nhe­cer Si­na­tra.

O re­la­to de Pu­zo: “O mi­li­o­ná­rio fez a apre­sen­ta­ção. Si­na­tra não er­gueu os olhos do pra­to nem por um ins­tan­te se­quer.

— Gos­ta­ria de lhe apre­sen­tar o meu ami­go Ma­rio Pu­zo — dis­se o mi­li­o­ná­rio.

— Pois eu não gos­ta­ria — re­tru­cou Si­na­tra.

Di­an­te dis­so co­me­cei a me afas­tar. Apa­ren­te­men­te, con­tu­do, o po­bre mi­li­o­ná­rio não ha­via per­ce­bi­do, con­ti­nu­an­do a in­sis­tir.

— Eu não que­ro ser apre­sen­ta­do a ele — re­pe­tiu Si­na­tra”.

Co­mo Si­na­tra pa­re­ce ter ava­li­a­do que Pu­zo pe­di­ra pa­ra ser apre­sen­ta­do, o au­tor de “O Po­de­ro­so Che­fão” es­cla­re­ceu: “Es­cu­te, a ideia não foi mi­nha”. “Se­guiu-se, en­tão, a coi­sa mais es­pan­to­sa”, re­la­ta Pu­zo. “Ele não en­ten­deu na­da. Ima­gi­nou que eu es­ta­ria me des­cul­pan­do por cau­sa de Johnny Fon­ta­ne, o per­so­na­gem do meu li­vro.” Si­na­tra per­gun­tou: “‘Quem foi que lhe dis­se pa­ra bo­tar aqui­lo no seu li­vro? O seu edi­tor?’ — per­gun­tou ele, com a voz qua­se amá­vel”.

Pu­zo, que di­zia não acei­tar in­ter­fe­rên­cia de edi­to­res em seus li­vros, cor­ri­giu: “Eu es­ta­va me re­fe­rin­do a nos­sa apre­sen­ta­ção”. Ao per­ce­ber que a “ar­te” era mes­mo de Pu­zo, “Si­na­tra pôs-se a vo­ci­fe­rar. O pi­or ter­mo que usou pa­ra me ofen­der foi cáf­ten, o que de cer­ta for­ma foi li­son­jei­ro pa­ra mim que ja­mais con­se­gui­ra de uma na­mo­ra­da que aos me­nos es­pre­mes­se os cra­vos das mi­nhas cos­tas, quan­to mais que tra­ba­lhas­se pa­ra mim. Lem­bro-me ter ele afir­ma­do que, não fos­se pe­lo fa­to de eu ser mais ve­lho, me da­ria uma sur­ra ines­que­cí­vel. Acon­te­ce que eu era um ga­ro­to quan­do ele já can­ta­va na Pa­ra­mount. O que me ma­go­ou de ver­da­de foi ver aque­le ita­li­a­no do Nor­te ame­a­çan­do a mim, um ita­li­a­no do Sul, com vi­o­lên­cia fí­si­ca. Ti­po da coi­sa que não se faz. Os ita­li­a­nos do Nor­te nun­ca se me­tem com os do Sul”. Quan­do Cop­po­la foi es­co­lhi­do pa­ra di­ri­gir o fil­me, Si­na­tra dis­se-lhe: “Sa­be, Fran­cis, eu tra­ba­lha­ria em ‘O Che­fão’ pa­ra vo­cê. Não o fa­ria por aque­les ca­ras da Pa­ra­mount, mas por vo­cê, sim”. Mui­tos can­to­res fo­ram son­da­dos pa­ra fa­zer Johnny Fon­ta­ne, mas a mai­o­ria não quis. O pri­mei­ro a se pron­ti­fi­car foi Al Mar­ti­no, mas Vic Da­mo­ne foi con­sul­ta­do pri­mei­ro. Acei­tou e, de­pois, re­cu­sou, por­que era “le­al” a Si­na­tra ou por­que a gra­na era cur­ta. “Al Mar­ti­no aca­bou con­se­guin­do o pa­pel e, na mi­nha opi­ni­ão, saiu-se mui­to bem”, conta Puzo.

O er­ro de John Ford

Re­ce­bo do go­i­a­no-bra­si­li­en­se He­ron­des Ce­zar, crí­ti­co de ci­ne­ma que re­al­men­te vê os fil­mes e não fi­ca se ba­se­an­do em co­men­tá­rios de ou­tros pa­ra fa­zer o seu: “Sua ob­ser­va­ção so­bre a ce­na de ‘Ras­tros de Ódio’ [de John Ford] em que um ín­dio mor­to e en­ter­ra­do res­pi­ra é cu­ri­o­sa. Den­tro da his­tó­ria, ou da di­e­ge­se, co­mo di­ria um crí­ti­co pe­dan­te, o ín­dio es­tá mes­mo mor­to. Mas ocor­re, co­mo to­dos sa­be­mos, que no lu­gar do ín­dio mor­to es­tá um ator vi­vi­nho da sil­va.

“O fa­to de um ‘mor­to’ res­pi­rar no ci­ne­ma é con­si­de­ra­do um er­ro, por­que ne­ga o ilu­sio­nis­mo que se es­pe­ra do fil­me. Os nor­te-ame­ri­ca­nos cha­mam os er­ros des­se ti­po de ‘re­ve­a­ling mis­take’ (er­ro re­ve­la­dor), por­que ele de­nun­cia a re­pre­sen­ta­ção.

“No en­tan­to, no ca­so es­pe­cí­fi­co des­sa ce­na de ‘Ras­tros de Ódio’, há con­tro­vér­sia. Se­gun­do uma ex­pli­ca­ção, o ín­dio te­ria si­do en­ter­ra­do ime­di­a­ta­men­te após a mor­te, quan­do a pe­dra foi co­lo­ca­da so­bre ele. O pe­so da pe­dra te­ria for­ça­do seus pul­mões a ex­pe­li­rem to­do o ar, cri­an­do um vá­cuo. Quan­do a pe­dra é re­ti­ra­da, o alí­vio do pe­so li­be­ra os pul­mões, que re­ce­bem a cor­ren­te de ar pu­xa­da atra­vés das vi­as na­sais, en­chen­do os pul­mões e dan­do a im­pres­são de que o mor­to res­pi­ra. des­pei­to de to­do es­se pa­po-de-cer­ca-Lou­ren­ço, de al­gum fa­ná­ti­co pe­lo fil­me que não quer ad­mi­tir a ‘fa­lha’, mi­nha opi­ni­ão é que te­mos um ‘er­ro re­ve­la­dor’. Pon­to fi­nal. É mais cor­ri­quei­ro do que se pen­sa, e po­de ser ob­ser­va­do em mui­tos fil­mes. E é com­pre­en­sí­vel, por­que os ato­res pre­ci­sam res­pi­rar, mes­mo se re­pre­sen­tam um de­fun­to”.

Cen­tro não ago­ni­za

Jor­nais “ma­ta­ram” o Cen­tro de Go­i­â­nia mais de uma vez. No do­min­go, 21, foi a vez do “Ho­je”, com um tí­tu­lo ex­plo­si­vo na pri­mei­ra pá­gi­na, “Sem es­tru­tu­ra cen­tro ago­ni­za”, e fo­to­gra­fi­as fei­tas, apa­ren­te­men­te, no do­min­go, quan­do as lo­jas es­tão fe­cha­das.

A re­por­ta­gem de Wa­nes­sa Ro­dri­gues di­ag­nos­ti­ca um pro­ble­ma re­al, a escassez de es­ta­cio­na­men­to, e o pre­si­den­te da Fe­de­ra­ção do Co­mér­cio, Jo­sé Eva­ris­to dos San­tos, co­me­te um er­ro e diz uma ver­da­de. San­tos diz que o sis­te­ma de tran­spor­te “não é sa­tis­fa­tó­rio”. O tran­spor­te co­le­ti­vo do Cen­tro é o mais efi­ci­en­te da ci­da­de. Ver­da­de di­ta pe­lo lí­der classista: “O Cen­tro nun­ca aca­ba”. O Cen­tro é mais pu­jan­te do que pa­re­ce aos jor­na­lis­tas. Co­mer­cian­tes sem­pre re­cla­mam das ven­das. É o len­ga-len­ga de sem­pre. A pau­ta de que o Cen­tro es­tá mor­ren­do é ve­lha des­de 1980. O jor­nal fa­ria me­lhor se mos­tras­se, além das lo­jas que es­tão fe­cha­das, as que re­sis­tem há vá­rios anos.

Es­ta­dão ino­va e Fo­lha vi­ra Mau­so­léu

Não ima­gi­na­va que “O Es­ta­do de S. Pau­lo” se­ria, um dia, mais ou­sa­do do que a “Fo­lha de S. Pau­lo”. Pois no do­min­go, 21, o Bra­sil pô­de ve­ri­fi­car que o ve­lho “Es­ta­dão” (me­lhor jor­nal do­mi­ni­cal do pa­ís), cha­ma­do de mau­so­léu por Caio Tú­lio Cos­ta, quan­do om­budsman, saiu na fren­te da no­vi­da­dei­ra “Fo­lha”. A “Folha” ti­nha uma ex­ce­len­te re­por­ta­gem, bem-pes­qui­sa­da, bem-es­cri­ta e, im­por­tan­te, nu­an­ça­da, mas não te­ve ou­sa­dia de des­ta­cá-la de mo­do mais en­fá­ti­co na pri­mei­ra pá­gi­na. Deu al­gum des­ta­que, na par­te su­pe­ri­or da ca­pa, com fo­to­gra­fia. Por que não a man­che­te (prin­ci­pal)? O as­sun­to do mo­men­to é a ques­tão do Se­na­do. Mas a his­tó­ria dos se­na­do­res, por mo­men­to­so que se­ja, can­sa, en­joa (mes­mo quan­do ex­clu­si­vo). No do­min­go, o jor­nal po­de­ria ter in­ves­ti­do, um pou­co mais, na re­por­ta­gem (ex­clu­si­va) so­bre Wil­son Si­mo­nal, pois ti­nha as in­for­ma­ções mais pre­ci­sas e re­ve­la­do­ras so­bre o as­sun­to. A cha­ma­da pá de cal. A re­por­ta­gem de Má­rio Ma­ga­lhã­es é per­fei­ta: res­ta pro­va­do, por de­cla­ra­ções do pró­prio Si­mo­nal, que o ar­tis­ta tra­ba­lhou co­mo de­do-du­ro ou ba­te-pau da di­ta­du­ra.

O “Es­ta­dão” ti­rou o Se­na­do do des­ta­que e deu man­che­te pa­ra a re­por­ta­gem so­bre a Guer­ri­lha do Ara­gu­aia. Le­o­nên­cio Nos­sa en­tre­vis­tou o co­ro­nel Se­bas­ti­ão Cu­rió, que li­be­rou seus ar­qui­vos, pro­van­do que, sim, o Exér­ci­to ma­tou vá­rios guer­ri­lhei­ros de­pois de apri­si­o­na­dos. O jor­nal pu­bli­ca os no­mes dos guer­ri­lhei­ros e acres­cen­ta a in­for­ma­ção de que mais cam­po­nes­es atu­a­ram ao la­do dos co­mu­nis­tas, di­re­ta ou in­di­re­ta­men­te.

No­vo pro­je­to do Cor­reio

O “Cor­reio Bra­zi­li­en­se” cir­cu­la com no­vo pro­je­to grá­fi­co. Bo­ni­to e co­lo­ri­do. A re­for­ma edi­to­ri­al não mu­dou mui­to o jor­nal e tal­vez não ha­ja mes­mo mui­to o que mu­dar, ex­ce­to o acrés­ci­mo de mais opi­ni­ão. O ca­der­no “Su­pe­res­por­tes”, pare­ci­do com o “Lan­ce!”, in­di­ca que o “Cor­reio” es­tá se pre­pa­ran­do pa­ra a co­ber­tu­ra da Co­pa do Mun­do de 2014.

En­sai­os com­pe­ten­tes

A Edi­to­ra da UFG lan­ça “His­tó­ria Po­lí­ti­ca de Go­i­ás” (170 pá­gi­nas), or­ga­ni­za­do por Nasr Cha­ul e Lu­iz Sér­gio Du­ar­te. O li­vro con­tém en­sai­os de in­te­lec­tu­ais que fi­ze­ram mes­tra­do na Uni­ver­si­da­de Fe­de­ral de Go­i­ás: Ci­lei­de Al­ves, Mar­ce­lo Ben­fi­ca Ma­ri­nho, Gleid­son de Oli­vei­ra Mo­rei­ra, Cle­ver Lu­iz Fer­nan­des, Re­gi­nal­do Li­ma de Aqui­no e Lindsay Bor­ges.

Jor­na­lis­tas e po­lí­ti­cos não de­vem dei­xar de ler o li­vro.

Ca­nal da UFG

O ca­nal de te­le­vi­são da UFG vai re­trans­mi­tir, inicialmente, a pro­gra­ma­ção da TV Bra­sil.

Jor­na­lis­mo ca­re­ce de mais hu­ma­nis­mo e me­nos téc­ni­ca

Não ti­ve ape­nas uma po­si­ção a res­pei­to da obri­ga­to­ri­e­da­de do di­plo­ma de jor­na­lis­ta pa­ra o exer­cí­cio da pro­fis­são. A que man­ti­ve por mais tem­po foi a de que di­plo­ma não de­ve ser ga­ran­tia de re­ser­va de mer­ca­do. Lo­go de­pois da­que­le pe­rí­o­do em que se per­mi­tiu que quem apre­sen­tas­se car­tas e ar­ti­gos pu­bli­ca­dos em jor­nais pu­des­se ob­ter o re­gis­tro pro­fis­si­o­nal de jor­na­lis­ta no Mi­nis­té­rio do Tra­ba­lho, al­te­rei, por um bre­ve mo­men­to, mi­nha opi­ni­ão. Pre­o­cu­pou-me, en­tão, o fa­to de que pes­so­as des­qua­li­fi­ca­das, in­clu­si­ve mo­ral­men­te, es­ti­ves­sem apro­vei­tan­do bre­chas pro­por­ci­o­na­das pe­lo ca­os ins­ti­tu­ci­o­nal bra­si­lei­ro pa­ra ocu­par es­pa­ços nos mei­os de co­mu­ni­ca­ção. No fun­do, a pre­o­cu­pa­ção era des­ca­bi­da, pois ne­nhu­ma re­da­ção sé­ria con­tra­tou os “jor­na­lis­tas de oca­si­ão”. Pe­lo mo­ti­vo ób­vio: não es­ta­vam pre­pa­ra­dos pa­ra o tra­ba­lho téc­ni­co de re­por­ta­gem e de aná­li­se. As re­da­ções con­ti­nu­a­ram con­tra­tan­do jor­na­lis­tas (mais) qua­li­fi­ca­dos, pri­o­ri­za­do os for­ma­dos nos di­ver­sos cur­sos de jor­na­lis­mo, al­guns, por si­nal, mui­to ru­ins.

Ago­ra, vol­to à mi­nha pri­mei­ra po­si­ção: res­pei­to e aca­to a de­ci­são do Su­pre­mo Tri­bu­nal Fe­de­ral sem ne­nhu­ma per­ple­xi­da­de ou con­tra­ri­e­da­de, ao con­trá­rio de par­te dos co­le­gas de pro­fis­são. Es­cla­re­ço que sou for­ma­do em jor­na­lis­mo pe­la Uni­ver­si­da­de Fe­de­ral de Go­i­ás e te­o­ri­ca­men­te te­ria de me ali­nhar com a po­si­ção cor­po­ra­ti­va. Mas pen­so di­fe­ren­te.

Não ava­lio que uma pes­soa com di­plo­ma do cur­so de jor­na­lis­mo me­re­ça, só pe­lo fa­to de ser pro­pri­e­tá­ria de um ca­nu­do, “ga­nhar” em­pre­go nu­ma re­da­ção. O mé­ri­to de um in­di­ví­duo não ad­vém do fa­to de ter um di­plo­ma, e sim de, na uni­ver­si­da­de, in­de­pen­den­te­men­te do cur­so que te­nha fre­quen­ta­do, ter ad­qui­ri­do a for­ma­ção ade­qua­da e ter re­for­ça­do sua vo­ca­ção. Quan­do di­go for­ma­ção es­cla­re­ço que es­tou fa­lan­do de ma­nei­ra am­pla. Por­que o jor­na­lis­ta não po­de trans­fe­rir a res­pon­sa­bi­li­da­de por sua for­ma­ção ex­clu­si­va­men­te à uni­ver­si­da­de. De­ve es­tu­dar por con­ta pró­pria, de­ve se de­di­car a al­gu­ma área pe­la qual jul­ga ter mais ap­ti­dão, e não ter re­ceio de con­vi­ver com ou­tras for­ma­ções pro­fis­si­o­nais na e fo­ra da re­da­ção.

Jor­na­lis­tas têm de apren­der a se re­la­ci­o­nar com pro­fis­si­o­nais for­ma­dos em ou­tras áre­as, e den­tro das re­da­ções, não ape­nas com co­la­bo­ra­do­res even­tua­is. Um eco­no­mis­ta com co­nhe­ci­men­to de téc­ni­cas de re­da­ção jor­na­lís­ti­ca po­de con­tri­bu­ir pa­ra me­lho­rar o pro­du­to fi­nal dos jor­nais, as re­por­ta­gens, as aná­li­ses, os co­men­tá­rios. Um bi­ó­lo­go po­de ade­quar e tor­nar mais pre­ci­sas as re­por­ta­gens da área de sa­ú­de. Um his­to­ri­a­dor po­de dis­cu­tir po­lí­ti­ca com mais pro­fun­di­da­de, vas­cu­lhan­do o pas­sa­do e co­nec­tan­do-o ao pre­sen­te, es­pe­cu­lan­do, com mais gra­vi­da­de, so­bre o fu­tu­ro. Um fi­ló­so­fo po­de re­fle­tir de mo­do mais am­plo so­bre ques­tões que pa­re­cem ab­sur­das mas são mui­to mais hu­ma­nas do que um re­pór­ter apres­sa­do po­de jul­gar. O adep­to da obri­ga­to­ri­e­da­de do di­plo­ma po­de­rá di­zer: o jor­na­lis­ta po­de fa­zer tu­do o que vo­cê es­tá di­zen­do. Tem ra­zão. Mas aqui en­tra uma ques­tão mais ri­ca do que a dis­cus­são da obri­ga­to­ri­e­da­de do di­plo­ma: a da for­ma­ção uni­ver­si­tá­ria.

Por ex­pe­ri­ên­cia pró­pria, por ter re­ce­bi­do re­cém-for­ma­dos nas re­da­ções que di­ri­gi, tan­to no “Di­á­rio da Ma­nhã” quan­to no “Jor­nal Op­ção” (on­de sou edi­tor), sei que os re­pór­te­res che­gam aos jor­nais com uma for­ma­ção mais so­ci­o­ló­gi­ca, ain­da que in­ci­pi­en­te, e a clás­si­ca “ca­be­ça” ide­o­ló­gi­ca es­quer­dis­ta. Que­rem trans­for­mar o mun­do, an­tes de co­nhe­cê-lo, e têm pre­con­cei­tos con­tra po­lí­ti­cos, em­pre­sá­rios, en­fim, con­tra os bur­gues­es. Aos pou­cos aco­mo­dam-se e per­dem o que ti­nham de me­lhor: a in­ci­pi­en­te for­ma­ção so­ci­o­ló­gi­ca, mas de al­gum mo­do con­ti­nuam “ide­ó­lo­gos”, ava­li­an­do, er­ra­da­men­te, que pa­trões e bur­gues­es são mons­tros e que va­le a pe­na mais de­mo­ni­zá-los que en­ten­dê-los. Se a for­ma­ção so­ci­o­ló­gi­ca fos­se apro­fun­da­da, e com um es­tu­do mais de­ti­do de his­tó­ria, pa­ra evi­den­ci­ar que as coi­sas mu­dam e co­mo mu­dam, e de li­te­ra­tu­ra, pa­ra apren­der que os ma­nu­ais de re­da­ção são ape­nas guias de con­du­ta, não ca­mi­sas-de-for­ça que ma­tam es­ti­los pró­prios de pen­sa­men­to e es­cri­ta, os jor­nais es­ta­ri­am mais ri­cos e não es­ta­ri­am per­den­do tan­tos lei­to­res. Am­pli­ar a for­ma­ção hu­ma­nís­ti­ca — com o re­for­ço do en­si­no de his­tó­ria, fi­lo­so­fia (ló­gi­ca, por exem­plo), so­ci­o­lo­gia, eco­no­mia, li­te­ra­tu­ra e por­tu­guês, não pa­ra “ames­trar” mar­xis­tas — tal­vez se­ja mais pro­du­ti­vo do que en­si­nar uma pro­fu­são de téc­ni­cas.

Se há al­go er­ra­do com os jor­nais, com o fa­to de que o nú­me­ro de lei­to­res não cres­ce, pe­lo con­trá­rio, cai, não se po­de cul­par ape­nas a cri­se, a in­ter­net e os do­nos de jor­nais. Nós, jor­na­lis­tas, cer­ta­men­te es­ta­mos fa­zen­do al­gu­ma coi­sa que não es­tá agra­dan­do. O quê? É um as­sun­to não pa­ra um ar­ti­go cur­to, e sim pa­ra es­tu­dos mais de­ta­lha­dos. Mas su­gi­ro coi­sas ób­vias: au­men­tar o es­pa­ço pa­ra a opi­ni­ão qua­li­fi­ca­da, pa­ra a dis­cus­são “quen­te” de de­ter­mi­na­dos as­sun­tos, ava­li­zar a re­por­ta­gem com tex­to mais li­te­rá­rio (não que­ro di­zer ro­mân­ti­ca ou fan­ta­sio­sa) e re­du­zir o es­pa­ço pa­ra te­vês nas pá­gi­nas dos jor­nais. A te­le­vi­são es­tá pre­sen­te de­mais na ca­sa das pes­so­as e a over­do­se tal­vez não agra­de tan­to quan­to se pen­sa, pe­lo me­nos a de­ter­mi­na­dos se­to­res da so­ci­e­da­de. Cla­ro que a te­le­vi­são não é um ad­ver­sá­rio dos jor­nais, mas tam­bém não é uma gran­de ali­a­da. Cha­mar a aten­ção dos lei­to­res pa­ra mais te­vê é um con­vi­te à não-lei­tu­ra. O leitor já viu pro­gra­mas de te­vê in­cen­ti­van­do al­guém a ler jor­nais? Os fa­ze­do­res de ima­gens tra­tam o jor­na­lis­mo es­cri­to co­mo su­bor­di­na­do da te­le­vi­são, quan­do es­ta, in­clu­si­ve nos te­le­jor­nais, te­ria di­fi­cul­da­de com su­as re­por­ta­gens se não fos­sem os tex­tos for­ma­do­res dos jor­nais e das re­vis­tas.

Fun­cio­ná­rios de te­vê da OJC em Jataí são obri­ga­dos a ca­pi­nar

Pu­bli­co um e-mail (o au­tor exis­te, é jor­na­lis­ta e pe­de si­gi­lo da fon­te) es­pan­to­so, qua­se fic­cio­nal, mas con­fir­ma­do por três pes­so­as di­fe­ren­tes, em cir­cun­stân­cias di­ver­sas, é pu­bli­ca­do: “Não tra­ba­lho na Or­ga­ni­za­ção Jai­me Câ­ma­ra, mas man­te­nho con­ta­to com seus fun­cio­ná­rios. Re­cen­te­men­te, num bar de Ja­taí, ou­vi uma his­tó­ria es­tar­re­ce­do­ra. O pes­so­al me re­la­tou que a di­re­ção da em­pre­sa de­ter­mi­nou a re­a­li­za­ção de um mu­ti­rão com os fun­cio­ná­rios pa­ra lim­par e ca­pi­nar a área da emis­so­ra em um dia de fe­ri­a­do. Quem não quis par­ti­ci­par, em­bo­ra te­nha tra­ba­lha­do no dia, não re­ce­beu pe­lo fe­ri­a­do tra­ba­lha­do”. A pró­pria fon­te du­vi­da que a cú­pu­la de Go­i­â­nia sai­ba des­ta his­tó­ria.

Ou­tra his­tó­ria: “Não exis­tem mais co­pos de ca­fé e água des­car­tá­veis na em­pre­sa. O lan­che da tar­de foi cor­ta­do. A re­u­ni­ão com co­que­tel men­sal com as agên­cias de pu­bli­ci­da­de lo­ca­is foi ex­tin­ta e os pu­bli­ci­tá­rios es­tão re­cla­man­do mui­to, por­que em Go­i­â­nia a em­pre­sa sem­pre re­a­li­za even­tos com os pu­bli­ci­tá­rios e mí­di­as e no in­te­ri­or não tem na­da. Tem mui­ta coi­sa nes­se sen­ti­do acon­te­cen­do nas emis­so­ras do in­te­ri­or e, es­pe­ci­fi­ca­men­te em Ja­taí, os fun­cio­ná­rios es­tão mui­to des­mo­ti­va­dos e re­la­tam que a qua­li­da­de caiu mui­to”.

A fa­mí­lia Câ­ma­ra man­tém um pa­drão de qua­li­da­de e éti­ca que é re­fe­rên­cia. O ca­so de Ja­taí, em que fun­cio­ná­rios fo­ram trans­for­ma­dos em “ro­ça­do­res” de “pas­to”, me­re­ce ser apu­ra­do.

Pop de­mi­te Ce­cí­lia Ai­res

O “Pop” de­mi­tiu, na se­ma­na pas­sa­da, a re­pór­ter Ce­cí­lia Ai­res.

Com 22 anos de “Pop”, Ce­cí­lia é uma das mais ex­pe­ri­men­ta­das e cor­re­tas re­pór­te­res de po­lí­ti­ca de Go­i­ás.

Nos úl­ti­mos anos, Ce­cí­lia com­bi­na­va a re­por­ta­gem po­lí­ti­ca com even­tua­is sub­sti­tui­ções do ti­tu­lar da co­lu­na “Gi­ro”, Jar­bas Ro­dri­gues Jr. É mui­to mais re­pór­ter do que Jar­bas.

Pro­ble­ma é da Glo­bo ou da TV Anhan­gue­ra?

Mau­ro Pei­xo­to Al­ves (mmmppa@hot­mail.com), sem­pre mui­to bem-in­for­ma­do, es­cre­ve: “Al­go mui­to es­tra­nho es­tá acon­te­cen­do nas trans­mis­sões dos jo­gos do Bra­sil na Co­pa das Con­fe­de­ra­ções, na Áfri­ca do Sul. Por pe­lo me­nos du­as ve­zes, em jo­gos di­fe­ren­tes, o úl­ti­mo con­tra a Itá­lia, ou­vi­mos Gal­vão Bu­e­no nar­ran­do o que se­ria o ‘re­play’ de uma jo­ga­da, mas ven­do a ima­gem na TV do jo­go ao vi­vo. Is­so sem con­tar com os inú­me­ros apa­gões du­ran­te o jo­go, quan­do a te­la fi­ca es­cu­ra por um ou dois se­gun­dos, an­tes de a ima­gem vol­tar ao nor­mal.

“Se­ria pro­ble­ma na Glo­bo ou na TV Anhan­gue­ra? Mo­ro no Jar­dim No­vo Mun­do e fi­co pen­san­do se es­ses pro­ble­mas es­tão acon­te­cen­do em ou­tros bair­ros da ca­pi­tal.”

In­vic­to há 38 anos

Ad­qui­ri "No Co­ra­ção da Guer­ra" (Ar­te­no­va, 175 pá­gi­nas, tra­du­ção de Ju­re­ma Fi­na­mour), de Am­bro­se Bi­er­ce. A edi­ção é de 1971, mas, pa­ra mi­nha sur­pre­sa, al­gu­mas pá­gi­nas es­ta­vam co­la­das, o que sig­ni­fi­ca que seu pro­pri­e­tá­rio (ou pro­pri­e­tá­rios) a guar­dou du­ran­te 38 anos, sem ja­mais o ter li­do ou, pe­lo me­nos, aber­to as pá­gi­nas.

O li­vro con­tém as cé­le­bres his­tó­ri­as so­bre a Guer­ra Ci­vil Ame­ri­ca­na.



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